A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga desvios em aposentadorias do INSS realizou nesta segunda-feira (8) a oitiva mais longa desde o início dos trabalhos. Foram 9 horas e 48 minutos de sessão para ouvir o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi.
Durante a reunião, 32 parlamentares participaram dos questionamentos, além do relator Alfredo Gaspar (União-AL), que interrogou Lupi por quase uma hora e meia. Apesar da longa duração, a sessão foi marcada por bate-bocas e troca de ofensas, com poucos avanços em relação às investigações.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o ex-ministro se contradisse em diversos momentos e não descartou a possibilidade de inseri-lo como investigado. Viana também levantou a hipótese de convocá-lo novamente, inclusive para uma acareação.
Confusão em plenário
Assim como nas últimas reuniões, a CPMI foi marcada por confusões. O senador Jorge Seif (PL-SC) chegou a fazer gestos ofensivos a um deputado da base governista. Já o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) travou uma discussão de quase oito minutos com o líder do governo, Paulo Pimenta (PT-RS), que acusou o presidente da comissão de cercear a fala de Lupi.
A troca de acusações se estendeu a Rogério Correia (PT-MG) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que quase chegaram às vias de fato. A sessão precisou ser suspensa temporariamente.
Defesa de Lupi
Em sua fala, Lupi negou omissão diante das denúncias de irregularidades, mas direcionou críticas ao modelo de empréstimos consignados, classificando-os como um “ciclo sem saída” para aposentados endividados.
Próximas sessões
A agenda da comissão prevê novos depoimentos:
Quinta-feira (11): ex-ministro Ahmed Mohamad Oliveira Andrade (antigo José Carlos de Oliveira).
Segunda-feira (15): Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Quinta-feira (18): o empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos líderes do esquema.
Fonte: G1