Criança e mais de 100 adolescentes são retirados de trabalho infantil em fábricas de calçados em MG

Uma criança de 11 anos e 106 adolescentes foram afastados de situações de trabalho infantil em fábricas de calçados localizadas em Nova Serrana e Perdigão, no Centro-Oeste de Minas Gerais. A operação, realizada pela Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT) entre os dias 22 e 26 de setembro, flagrou irregularidades em 65 dos 68 estabelecimentos vistoriados.

Segundo a fiscalização, os menores atuavam em atividades insalubres e perigosas, como aplicação de cola com solventes tóxicos, operação de máquinas, manuseio de produtos químicos e exposição a ruídos acima do permitido. Todas essas funções estão na lista das piores formas de trabalho infantil, de acordo com a legislação brasileira.

Dos afastados, havia uma criança de 11 anos e adolescentes entre 13 e 17 anos. Em alguns casos, eles estavam fora da escola ou acumulavam jornadas exaustivas. Uma auditora relatou ter encontrado uma menina separando peças em ambiente com vapores tóxicos e um adolescente de 13 anos trabalhando na esteira de montagem.

As crianças e adolescentes menores de 16 anos foram retirados imediatamente do trabalho. Já os jovens de 16 e 17 anos foram realocados para funções permitidas em lei. Todos terão acesso à rede de proteção social e poderão ingressar em programas de aprendizagem profissional.

As empresas envolvidas serão autuadas. Um Termo de Compromisso foi proposto para que indústrias do setor priorizem a contratação de jovens em situação de vulnerabilidade em programas do Senai. Representantes sindicais também foram convocados para discutir medidas de prevenção e conscientização.

Denúncias de trabalho infantil podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, disponível na internet.

Fonte: G1

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