Tecnologia ‘CSI do WhatsApp’: como a PF recuperou áudios apagados de Bolsonaro Redação22 de agosto de 2025089 visualizações As mensagens e áudios atribuídos ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a aliados, revelados no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado, levantaram dúvidas sobre como a Polícia Federal conseguiu recuperar arquivos que haviam sido apagados. A explicação está na chamada perícia forense digital, área da investigação que atua como uma espécie de “CSI cibernético”. Em vez de seguir pistas físicas, peritos analisam dados de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos. Como funciona a perícia digital Em operações de busca e apreensão, celulares e notebooks costumam ser os alvos principais. Esses aparelhos são conectados a sistemas que criam uma cópia exata da memória interna, garantindo a preservação de provas. Essa “imagem” digital permite que os técnicos analisem mensagens, fotos, vídeos e documentos sem alterar os originais. Ao contrário da ideia de que os peritos precisam abrir arquivo por arquivo, softwares especializados fazem varreduras completas em poucos minutos. Muitas dessas ferramentas são fornecidas por empresas internacionais, especialmente de Israel e Canadá. É possível recuperar arquivos apagados? Sim. Quando alguém deleta um arquivo, ele não desaparece imediatamente da memória: primeiro vai para uma área temporária (a “lixeira”). Só depois de um tempo — geralmente 30 dias — esse espaço começa a ser reescrito. Com programas avançados, os peritos conseguem reconstruir dados apagados, como se estivessem colando fragmentos de um papel rasgado. E a criptografia do WhatsApp? O WhatsApp usa criptografia de ponta a ponta durante a transmissão das mensagens, o que impede terceiros — inclusive a própria Meta — de acessar o conteúdo. No entanto, quando o arquivo chega ao celular do destinatário, ele passa a ficar armazenado na memória do aparelho, geralmente sem camadas adicionais de proteção. No caso da investigação, o pastor Silas Malafaia entregou seu celular com senha às autoridades, o que permitiu a extração direta dos dados e facilitou o trabalho dos peritos. Já figuras de alto risco — como líderes internacionais e executivos — costumam adotar criptografia extra no armazenamento, criando barreiras adicionais. Não há, porém, indícios de que Bolsonaro ou seus aliados tenham usado esse tipo de proteção. Fonte: CBN