Da dança ao campo de batalha: juíza internacional se torna sniper na Ucrânia

Tetiana Khimion, professora de danças de salão, juíza internacional e presença constante em competições na Europa e na China, teve a vida radicalmente transformada pela invasão russa à Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022. Aos 47 anos, mãe de dois filhos, deixou os palcos e o estúdio em Sloviansk, região de Donetsk, para se alistar nas Forças Armadas ucranianas.

No Exército, escolheu um caminho inusitado para quem vinha da dança: treinou para se tornar sniper. “Quando passeava com os miúdos no parque, às vezes atirava num pequeno campo de tiro que havia lá. Conseguia acertar no centro do alvo e até ganhar pequenos prémios. Pensei: talvez eu consiga fazer isto”, contou à Associated Press.

Tetiana destaca que a função de atiradora de precisão une dois elementos centrais de sua trajetória: criatividade e precisão matemática. “A profissão de sniper é, na verdade, muito criativa e eu sou uma pessoa criativa. Ao mesmo tempo, é muito matemática, e eu adoro matemática. Estudei Física e Matemática na universidade, por isso esta combinação de precisão e criatividade fez todo o sentido para mim”, afirma.

Em agosto de 2023, passou a integrar o 78.º Regimento de Assalto Aéreo como atiradora de curto alcance, dando cobertura a grupos de assalto em missões de combate.

Tetiana começou a dançar aos seis anos, tornou-se juíza de nível internacional e abriu o próprio estúdio, onde treinava crianças. A rotina era intensa, marcada por viagens constantes para competições no exterior. “Os meus dias eram muito preenchidos. Viajávamos para competir e representar a Ucrânia. Todas as semanas íamos para uma cidade diferente, descobríamos a Europa, a China. Era muito intenso, mas parecia rotina”, recorda.

A invasão russa interrompeu essa normalidade. Na manhã de fevereiro de 2022, percebeu que não poderia continuar a dançar enquanto o país estava sob ataque.

Tetiana encara cada missão com disciplina e sangue-frio, postura que atribui aos anos de trabalho com crianças e à exigência do esporte. Ainda assim, admite que a guerra a transformou profundamente. “Tornei-me uma pessoa completamente diferente. Sinto que já vivi todas as minhas emoções, sensações e momentos mais fortes. Quero continuar a viver, ir às montanhas, nadar no oceano. Mas percebo que não vou conseguir sentir as emoções como antes, porque as mais intensas já foram vividas”, desabafa.

Fonte: OGLOBO

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