Diretor do Butantan defende vacina da dengue e diz confiar em retomada após suspensão

por Redação

O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, afirmou que mantém confiança na vacina contra a dengue desenvolvida pela instituição e classificou o imunizante como a principal ferramenta disponível atualmente para combater a doença no Brasil. A declaração ocorre após o Ministério da Saúde suspender temporariamente a aplicação da vacina para aprofundar a investigação de eventos adversos registrados após a imunização.

Segundo Kallás, a análise dos casos deve ocorrer no menor tempo possível, mas ainda não há prazo definido para a conclusão. O foco será aprofundar a investigação dos relatos de reações adversas e determinar se existe relação causal entre os episódios e a vacinação. Entre os registros, três casos são considerados graves, incluindo duas mortes, mas até o momento não há comprovação de que os eventos tenham sido provocados pela vacina.

O diretor informou que o Butantan solicitou acesso completo às bases de dados do Ministério da Saúde e pretende ampliar estudos em andamento, além de propor vacinações-piloto sob farmacovigilância ativa para monitoramento mais detalhado. Ele destacou que, nos estudos clínicos e nas campanhas realizadas em Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), envolvendo mais de 80 mil pessoas, não foram identificados sinais que levantassem preocupações sobre a segurança do imunizante.

Kallás também ressaltou que pessoas já vacinadas receberam a proteção prometida pela vacina. A recomendação é que quem foi imunizado há menos de 21 dias e apresentar sintomas informe as autoridades de saúde para auxiliar no monitoramento. Ele lembrou que vacinas de vírus atenuado podem provocar reações relacionadas à multiplicação do vírus vacinal, fenômeno observado também em imunizantes como os de febre amarela, rubéola e varicela.

O estudo da vacina em pessoas com mais de 60 anos segue em andamento e já ultrapassou 75% do recrutamento previsto, sem registro de sinais preocupantes até o momento. Já o planejamento para produção de até 60 milhões de doses em parceria com a empresa chinesa Wuxi será reavaliado diante da suspensão temporária da vacinação.

Ao comentar o cenário, Kallás afirmou que a discussão deve ser conduzida com base em evidências científicas, sem politização. Ele disse acreditar que a atual fase será superada e demonstrou expectativa de que a vacinação possa ser retomada após a conclusão das investigações. O Instituto Butantan reforçou que continuará colaborando com as autoridades sanitárias e mantendo seu compromisso histórico com a saúde pública brasileira.

Fonte: G1

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