A fabricante de armas Taurus desenvolveu drones equipados com fuzil. O novo aparelho será destinado exclusivamente para forças de segurança, com capacidade para “ampliar as capacidades em missões policiais e militares”, segundo informações da fabricante.
Outros tipos de armamento, como metralhadoras, podem ser acoplados ao equipamento, explica a empresa. O uso desse tipo de drone depende de regulamentação no Brasil. O g1 ouviu especialistas em segurança pública, que avaliaram a novidade. Leia abaixo.
O equipamento
O drone é fabricado pela Taurus em São Leopoldo, na Região Metropolitana do Porto Alegre (RS), e foi apresentado na LAAD Defence & Security 2025, feira de defesa e segurança que vai até sexta (4), no Rio de Janeiro.
Segundo a fabricante, o produto é inédito no mundo e está em fase de demonstração para venda. O drone poderá ser exportado, exclusivamente para forças de segurança.
De acordo com a Taurus:
a aeronave conta com um fuzil T4 acoplado;
módulo que conecta outros tipos de armas — nos calibres 5,56, 7,62 (fuzis) ou 9mm (submetralhadora) — ao drone;
câmera 4K estabilizada em 3 eixos;
rádio controle com transmissão em tempo real das imagens captadas;
sensor de distância;
laser pointer;
mecanismo de movimentação horizontal e vertical;
inteligência artificial embarcada para identificação de alvos.
“O Taurus TAS poderá, em determinadas situações, substituir o uso de helicópteros em ações, reduzindo o risco às equipes em solo, eliminando o risco à equipe aérea e minimizando danos materiais em casos de alvejamento ou quedas”, afirma a fabricante, em nota.
A Taurus salienta que ainda não há uma regulamentação para o uso de drone com armamento no Brasil. A empresa afirma que analisa, junto a órgãos competentes, qual regulamentação é necessária para o aparelho.
A legislação sobre drones no Brasil é regulamentada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
O que dizem especialistas em segurança
Autoridades em segurança pública ouvidos pelo g1 demonstram cautela com a nova tecnologia. Eduardo Pazinato, doutor em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que o uso de dispositivos semelhantes já é empregado em conflitos armados, mas pode não estar alinhado com as necessidades reais de combate à criminalidade no cotidiano de cidades.
“Pode, inclusive, agravar o problema, expondo mais pessoas a risco, inclusive profissionais da segurança pública”, afirma.
Diretora executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo acredita que o uso do equipamento não é recomendável a nível de segurança pública e, sim, a nível militar e uso de guerra.
“É claro que ele pode ser usado eventualmente em casos muito específicos, quando o crime eventualmente estiver com armas muito pesadas, mas me parece bastante arriscado pensar nesse tipo de armamento numa lógica de segurança pública”, explica.
Ela também destaca que a possibilidade de erros de alvo é um fator a ser debatido.
“Não considero adequado que esse tipo de armamento seja usado na segurança pública cotidiana. Ele é um armamento de guerra e só deve ser usado nessas situações”, afirma.
Fonte: G1