“É uma migalha”, diz Drauzio sobre ação da Meta contra golpes com deepfakes

A Meta, empresa responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp, anunciou nesta quinta-feira que ingressou na Justiça contra esquemas que utilizam indevidamente imagens e vozes manipuladas de celebridades e influenciadores para aplicar golpes no Brasil e na China. Entre os nomes citados está o médico Drauzio Varella.

Ao GLOBO, o oncologista classificou a iniciativa como insuficiente. Para ele, a medida é “uma gota d’água em um oceano de estelionato contra a saúde pública” e deve ser recebida “como uma migalha”.

— Eles vão processar uma empresa? São centenas que usam o meu nome e a minha imagem divulgando informações médicas falsas. Eu recebo mensagens quase que diariamente sobre alguém que usou um medicamento fraudulento que “eu recomendei”, sendo que não fui eu — afirmou.

Drauzio relatou que há anos tenta contato com a plataforma para denunciar os conteúdos falsos, mas que, segundo ele, não houve retorno efetivo.

— Eles são sócios da fraude. Eles ganham bilhões para realizar essa divulgação e fazer com que o vídeo chegue na maior quantidade de pessoas possíveis — declarou.

Além de Drauzio, os anúncios fraudulentos teriam utilizado imagens falsas do médico Lair Ribeiro, da cantora Maiara, do jornalista Luiz Bacci e da influenciadora Maíra Cardi.

Luiz Bacci afirmou que sua imagem já foi explorada para vender desde “estimulante sexual a plano funerário” nas redes sociais. Segundo ele, as denúncias não surtiram efeito. “Quando se deleta uma, surgem outras três”, disse.

— Outro dia, a plataforma derrubou uma foto do meu cachorro de estimação, alegando que eu estava vendendo animais, o que é ilegal na plataforma. Em compensação, essas montagens bizarras de deepfake continuam circulando livremente na internet, mesmo após denúncias.

O apresentador relatou que até familiares acabam impactados pelos anúncios.

— A cada duas semanas, minha mãe me pergunta sobre um produto diferente, como se eu estivesse anunciando. Até ela acaba acreditando. Esses golpistas usam a nossa credibilidade com a população para tirar proveito. A verdade é que, no Brasil, estelionato físico ou virtual não dá cadeia. Ser golpista virou profissão.

Maiara também considerou a decisão da empresa correta, mas tardia.

— Eu acho uma decisão sábia, porém tardia. Há muitos anos sofremos com estes anúncios falsos. Já entramos com processo várias vezes, mas isso se dissemina com uma velocidade absurda, que não conseguimos conter. Quem sabe a Meta use de toda sua tecnologia para acabar com isso de uma vez — afirmou.

A cantora alertou ainda para o risco à saúde.

— O mais preocupante é que nem são medicamentos aprovados ou registrados e podem causar danos para muita gente.

Segundo a Meta, os golpistas utilizam deepfakes das figuras públicas para induzir usuários a clicar em anúncios que direcionam para sites fraudulentos. Nessas páginas, as vítimas são levadas a fornecer dados pessoais ou efetuar pagamentos.

A empresa informou que também move ações contra um anunciante sediado no Vietnã, acusado de manipular sistemas de revisão de anúncios para liderar esquema de fraude por assinatura. No Brasil, a companhia cita Vitor Lourenço de Souza e Milena Luciani Sanchez, além da empresa B&B Suplementos e Cosméticos (Brites Corp), Brites Academia de Treinamento, Daniel de Brites Macieira Cordeiro e José Victor de Brites Chaves de Araújo, que estariam envolvidos em operação com deepfakes para promover produtos de saúde sem aprovação regulatória e vender cursos ensinando as mesmas práticas.

Na China, a ação envolve a empresa Shenzhen Yunzheng Technology, acusada de usar celebridades como isca para atrair vítimas nos Estados Unidos e no Japão para supostos grupos de investimento. Já contra a Lý Văn Lâm, do Vietnã, a acusação é de ocultação de identidade para burlar o sistema de revisão de anúncios e promover ofertas fraudulentas de marcas conhecidas, como Longchamp, mediante coleta de dados de cartão de crédito. As vítimas não recebiam os produtos e ainda eram submetidas a cobranças recorrentes não autorizadas.

A Meta informou que suspendeu métodos de pagamento, desativou contas relacionadas, bloqueou domínios usados nos golpes e compartilhou informações com parceiros do setor. A empresa também citou ação conjunta com autoridades do Reino Unido e da Nigéria que resultou em sete prisões. O escritório da Meta no Brasil afirmou que não comentará além do comunicado global.

A reportagem tentou contato com os citados no Brasil, mas não houve retorno até o momento.

Fonte: OGLOBO

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