Empresário que matou gari em BH divulga carta e chama crime de “acidente”

O empresário René Nogueira Júnior, preso pelo assassinato do gari Laudemir Fernandes, em Belo Horizonte, escreveu uma carta na qual classificou o crime como um “acidente”. O caso aconteceu há duas semanas, no bairro Vista Alegre, na região Oeste da capital mineira.

Na carta, divulgada pela rádio Itatiaia e confirmada pelo Globo, René também procurou esclarecer a polêmica em torno de sua defesa, após idas e vindas na contratação de advogados. O texto foi escrito de próprio punho dentro do presídio.

“O que aconteceu foi um acidente com a vítima e me sinto bem representado, tanto pelo Dr. Dracon quanto pelo Dr. Bruno Rodrigues. Tenho certeza que resolveremos esse mal-entendido”, afirmou o empresário.

Inicialmente, René havia negado participação no crime e chegou a dizer que não estava no local. A versão mudou depois que vídeos mostraram o empresário passeando com cães e manuseando uma arma após o ocorrido. Em novo depoimento, ele confessou o disparo, mas alegou ter atirado “para cima” e deixado a cena sem saber que havia atingido o gari.

Crime e investigação

Segundo as investigações, o empresário se irritou ao encontrar o caminhão de coleta de lixo no bairro e teria ameaçado a motorista antes de atirar contra os garis. Testemunhas relataram que não houve discussão, apenas a recusa de René em esperar a passagem do veículo. O disparo atingiu Laudemir, que morreu no local.

Na última sexta-feira (22), a perícia confirmou que a arma usada no crime pertencia à esposa de René, a delegada Ana Paula Balbino Nogueira. Em depoimento, ela disse desconhecer o uso da pistola pelo marido. A Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento para apurar a conduta da servidora, que segue no cargo.

René deve responder por homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de arma e ameaça.

Bloqueio de bens

O Ministério Público de Minas Gerais pediu o bloqueio de R$ 3 milhões em bens do casal para garantir eventual indenização à família da vítima. O pedido atende a solicitação da defesa da família de Laudemir, que destacou a condição de provedor do gari — pai de uma criança que ficou órfã.

“O crime demonstrou extrema periculosidade do agente e afetou diretamente a subsistência dos familiares da vítima”, afirmou o advogado Tiago Lenoir, que representa a família.

Prisão preventiva

Ao manter a prisão do empresário, o juiz responsável pelo caso destacou a frieza e desproporcionalidade da ação, afirmando que a liberdade de René representaria “risco real à ordem pública”.

Fonte: OGLOBO

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