A deputada federal Erika Hilton entrou com uma ação no Ministério Público Federal contra o apresentador Ratinho e o SBT após declarações feitas durante o programa exibido ao vivo na última quarta-feira (11). Segundo a parlamentar, as falas do comunicador configuram transfobia e motivaram um pedido de indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.
Durante a atração, Ratinho criticou a escolha de Erika para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. No comentário, ele afirmou que mulheres trans não seriam mulheres, além de mencionar que mulheres que não menstruam, não têm útero ou não têm filhos não poderiam ser consideradas mulheres.
Em publicação nas redes sociais, Erika Hilton afirmou que decidiu processar o apresentador por considerar que houve violência e ataque não apenas contra ela, mas também contra a população trans.
“Sim, estou processando o apresentador Ratinho. Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência. Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim”, declarou.
A deputada também compartilhou reportagem da Folha de S.Paulo confirmando o pedido de abertura de ação civil pública com indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos causados à população trans e travesti.
Segundo Erika, o discurso do apresentador não atingiu apenas pessoas trans, mas também expressou misoginia contra mulheres que não se encaixariam em um padrão que ele considera correto.
“O discurso de Ratinho foi, sim, para me atacar e atacar pessoas trans. Mas demonstrou a misoginia, o ódio primal que essa figura nojenta tem de toda e qualquer mulher que não siga o roteiro que ele considera certo”, afirmou.
Além da denúncia principal, a parlamentar afirmou que pretende apresentar outras acusações envolvendo Ratinho e membros de sua família.
Em uma das publicações, Erika mencionou reportagens sobre um caso de 2016 em que trabalhadores teriam sido submetidos a condições análogas à escravidão em fazendas do apresentador no Paraná. Ela também citou que pretende denunciar um caso envolvendo um filho do comunicador relacionado ao crime de estupro de vulnerável.
Posição do SBT
Em nota oficial, o SBT afirmou que repudia qualquer forma de discriminação e declarou que as falas de Ratinho não representam a posição da emissora.
“A emissora repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa”, informou o canal.
Até o fechamento da reportagem, Ratinho não havia se pronunciado diretamente sobre o processo. Nas redes sociais, o apresentador publicou apenas uma foto ao lado da esposa, Solange, com a legenda: “Dia de #tbt com a mãe dos meus filhos. Te amo, meu amor”.
Fonte: EXTRA