EUA e Israel estão buscando países para receber população de Gaza, diz Netanyahu

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse neste segunda-feira (7) que seu governo e de Donald Trump, dos EUA, estão buscando países que concordem em receber palestinos que vivem atualmente na Faixa de Gaza e seriam deslocados.

Netanyahu fez o anúncio durante reunião desta segunda com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Na ocasião, Trump disse que há “ótima cooperação” por parte de países no Oriente Médio procurados por EUA e Israel, mas não especificou se algum deles havia aceitado a proposta.

O presidente de Israel afirmou que a parceria com Israel daria aos palestinos um “futuro melhor”, sugerindo que os moradores de Gaza poderiam se mudar para países vizinhos.

Esta não foi a primeira vez que ambos os líderes falaram sobre a ideia de deslocamento os mais de 2 milhões de moradores de Gaza. Desde Israel que voltou a atacar a Faixa de Gaza, Netanyahu vem mencionando planos de ocupar o território palestino.

No primeiro encontro os dois líderes desde a nova gestão do presidente dos EUA, em fevereiro, Trump afirmou também que os EUA pretendiam assumir o controle da Faixa de Gaza após o fim da guerra entre Israel e o Hamas. E disse que queria, inclusive, construir uma “riviera do Oriente Médio”, com um complexo de resorts, no território.

Depois, em maio, Netanyahu também afirmou que pretende dominar toda a Faixa de Gaza.

A reunião desta segunda foi a terceira visita de Netanyahu a Washington desde que Trump voltou à presidência, em janeiro.

O principal tema do encontro, que ainda ocorria até a última atualização desta reportagem, foi um possível acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, com a libertação de reféns.

Mas, durante uma conversa com a imprensa em um jantar com Netanyahu e membros de ambos o governo, Netanyahu também tratou de outros assuntos, como a entrega de armas à Ucrânia e uma possível retomada de conversas com o Irã por um acordo nuclear.

Gaza

O encontro entre Trump e Netanyahu ocorreu em um momento de suposto avanço para um cessar-fogo entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza. Na conversa com a imprensa, o líder israelense evitou falar do tema, mas Trump disse achar que o acordo pode ser alcançado ainda nesta semana.

Na semana passada, o presidente norte-americano disse que o governo israelense havia concordo com um cessar-fogo nos termos propostos pelos EUA, um dos mediadores das negociações que os dois lados travam.

Dias depois, o Hamas afirmou ter aceitado o mesmo acordo, que, entre outros pontos, propõe a trégua nos ataques israelenses e a troca de prisioneiros palestinos pelos reféns ainda sob poder do grupo terrorista. O texto também prevê a retirada parcial de tropas israelenses de Gaza e discussões sobre o fim definitivo da guerra.

Nenhum avanço foi feito desde então, mas uma fonte de governo israelense disse à agência Reuters que o clima nas negociações que representantes dos dois lados travam em Doha, no Catar, é postivo.

Armas para a Ucrânia
Durante o jantar com Netanyahu, Donald Trump também afirmou que o país tem que mandar mais armamento para a Ucrânia durante a guerra contra a Rússia. A declaração foi feita nesta segunda (7) a repórteres na Casa Branca.

Dias atrás, entretanto, o republicano havia suspendido o envio de armamento ao país, segundo a agência de notícias norte-americana Associated Press. Trump não disse, no encontro com Netanyahu, se de fato voltará a enviar armas ao aliado Volodymyr Zelensky.

Irã
Trump disse, durante o encontro com Netanyahu, que os Estados Unidos agendaram novas conversas com o Irã dentro das negociações entre Washington e Teerã por um novo acordo nuclear. E afirmou que “gostaria de suspender as sanções com o Irã em algum momento”.

Antes de viajar a Washington, Netanyahu afirmou que também vai aproveitar o encontro para agradecer a Trump pelos ataques dos EUA contra instalações nucleares no Irã, realizados no mês passado. Os bombardeios resultaram em um cessar-fogo entre Israel e Irã, após 12 dias de guerra.

Nobel da Paz
No início do encontro, o primeiro-ministro de Israel anunciou ter indicado o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para receber o Prêmio Nobel da Paz.

Netanyahu entregou ao presidente dos EUA uma carta com a indicação que ele disse ter enviada também à organização do Prêmio Nobel, sediado na Noruega.

As nomeações para o Nobel da Paz funcionam a partir de indicações, que podem ser feitas por membros de governos, Parlamentos ou reitores universitários de todo o mundo, além de integrantes de tribunais internacionais, junto de uma justificativa.

Netanyahu afirmou ter indicado Trump por conta dos “esforços” do presidente dos EUA em garantir a paz no Oriente Médio.

‘Lobby’ político para Netanyahu
Antes do encontro, o ministro israelense e integrante do gabinete de segurança de Netanyahu, Avi Dichter, disse esperar que o encontro com Trump também abordasse a possibilidade de normalizar relações com Líbano, Síria e Arábia Saudita.

“Acho que vai se concentrar, antes de mais nada, em um termo que usamos muito, mas que agora tem significado real: um novo Oriente Médio”, disse ele à emissora pública israelense Kan nesta segunda-feira.

No fim de junho, Trump usou as redes sociais para criticar os promotores responsáveis pelo julgamento de corrupção contra Netanyahu, que é acusado suborno, fraude e abuso de confiança. O premiê nega as denúncias.

Trump argumentou na semana passada que o processo contra Netanyahu poderia atrapalhar a capacidade do aliado de negociar com o Hamas e o Irã.

Fonte: G1

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