Nos últimos dias, um vídeo que viralizou nas redes sociais chamou atenção para uma situação de risco cada vez mais comum. Nele, um homem simula um atropelamento, aparentemente com a intenção de enganar o motorista e realizar um roubo. Quando percebe a chegada da polícia, o suspeito desiste e se afasta rapidamente.
Nos comentários, muitos internautas relatam já ter passado por situações semelhantes, levantando a preocupação sobre como se proteger deste tipo de golpe.
De acordo com o policial federal e instrutor de defesa pessoal Fábio Henriques, simular um atropelamento é uma prática recorrente, especialmente nos Estados Unidos, onde o condutor tem uma responsabilidade maior.
“No Brasil, a probabilidade de o motorista ser coagido a pagar um valor imediato é menor, mas o golpe é adaptado para a nossa realidade, em vez da extorsão, entra o furto”, explica Henriques. Ele alerta para a seleção de vítimas feita pelos golpistas: “Pessoas vulneráveis, como idosos ou mulheres jovens e inexperientes, são mais propensas a serem alvo desses golpes”, diz.
O especialista recomenda que, ao notar um pedestre se aproximando rapidamente do veículo, o motorista adote uma postura defensiva. “Manter a atenção no trânsito e evitar a direção automática é fundamental”, ressalta.
Para ele, a principal estratégia de defesa é ainda dentro do carro, antes do suposto acidente, sempre com os olhos atentos ao comportamento dos pedestres. “Se o motorista estiver em uma velocidade mais baixa, a probabilidade de alguém tentar simular o atropelamento aumenta. Por isso, atenção redobrada”, afirma.
Henriques também orienta que, ao perceber a tentativa de fraude, o motorista não deve sair do carro. “O golpista geralmente tenta aproveitar o nervosismo do motorista para intimidá-lo e até roubar seus pertences”, afirma.
A primeira ação indicada é pegar o celular e começar a gravar a cena, documentando tudo, incluindo a posição do carro, do suposto ferido e possíveis testemunhas. “Registrar tudo é essencial”, recomenda.
Se a situação começar a escalar para uma tentativa de extorsão, o policial aconselha chamar a polícia imediatamente e, se necessário, se deslocar para um posto de gasolina ou para uma delegacia próxima.
A Lei e a omissão de socorro
O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) obriga o motorista a prestar socorro a vítimas de atropelamento. Advogado especialista em direito de trânsito e conselheiro do Contran, Marco Vieira destaca que, em caso de acidente com vítima, o condutor tem a obrigação de prestar socorro direto se possível, ou então, providenciar o socorro, o que significa acionar os órgãos competentes como polícia, bombeiros ou SAMU.
“Se o motorista não pode prestar socorro diretamente, ele deve comunicar imediatamente o fato às autoridades”, explica Vieira.
Entretanto, Vieira também reconhece que em situações de simulação de atropelamento, a ação do motorista pode ser mais cautelosa.
“Se o motorista perceber que se trata de um golpe, ele não é obrigado a sair do veículo, principalmente se houver risco para a sua integridade física”, afirma o advogado. Isso inclui o risco de linchamento ou violência por parte de terceiros que possam estar envolvidos no golpe. Nesse caso, a recomendação é chamar a polícia.
Fonte: UOL