Falso médico vai a júri popular por homicídio após receitar remédio para dor lombar a paciente cardíaca que morreu em casa

O falso médico Fernando Henrique Dardis, de 39 anos, vai a júri popular nesta quinta-feira (30), em Sorocaba (SP), acusado de homicídio por dolo eventual — quando o autor assume o risco de matar — pela morte de Helena Rodrigues, uma paciente cardíaca que morreu em 2011, após ser medicada com remédios para dor lombar.

Na época, Fernando se apresentava como “doutor Ariosvaldo” e trabalhava na Santa Casa de Sorocaba, utilizando o registro profissional e o nome de um médico verdadeiro. Helena procurou atendimento apresentando sintomas de infarto, mas foi diagnosticada por ele com dor lombar e liberada com uma prescrição de analgésicos. No dia seguinte, sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu em casa.

O caso voltou à Justiça após ser revelado que Fernando, que chegou a forjar a própria morte para escapar do julgamento, está vivo. O Ministério Público (MP) pediu nova prisão preventiva, e o acusado foi detido em junho deste ano, após reportagem do Fantástico expor a farsa.

Além da morte de Helena, Fernando também responde por outro homicídio, relacionado ao óbito de Therezinha Monticelli Calvim, atendida por ele no mesmo período.

Fraude e falsidade ideológica

Segundo as investigações, Fernando usou o CRM de um médico verdadeiro e chegou a assinar mais de 200 declarações de óbito. Ele havia cursado até o sétimo semestre de Medicina, mas abandonou o curso. Para sustentar o disfarce, utilizou documentos falsos, carimbo médico e currículo adulterado.

A fraude foi descoberta após denúncias de pacientes e familiares. Em 2012, Fernando já havia sido condenado por falsidade ideológica e por portar distintivo da Polícia Civil e munições, sem ser policial.

Morte forjada

Em 2022, o Ministério Público descobriu que Fernando havia simulado a própria morte, apresentando um atestado de óbito falso emitido pelo Hospital Brás Cubas, em Guarulhos, instituição pertencente à família dele. O documento alegava que ele havia morrido de sepse.

Para completar a farsa, o acusado teria incluído seu nome nos registros do Cemitério Municipal Campo Santo, usando a vaga de um idoso de 99 anos que realmente foi sepultado no local.

Em vídeo enviado ao Fantástico antes da prisão, Fernando afirmou:

“Venho a público esclarecer que estou vivo, que agi sozinho em um momento de desespero. A dona Helena foi atendida por mim, internada e passou por outros médicos. Não aceito o que dizem, porque não há nada no processo que me indique esse crime.”

O júri popular ocorre no Fórum Criminal de Sorocaba, e sete jurados decidirão se Fernando será condenado ou absolvido. Em caso de condenação, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão.

Fonte: G1

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