O governo federal estuda liberar recursos do FGTS em duas frentes, com potencial de beneficiar milhões de trabalhadores. A medida faz parte de um pacote voltado à redução do endividamento das famílias, mas ainda carece de definições práticas, como calendário, valores exatos e critérios finais.
Uma das iniciativas já detalhadas envolve trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário, foram demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025 e tiveram parte do saldo retido como garantia de empréstimos. Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, cerca de R$ 7 bilhões devem ser liberados para aproximadamente 10 milhões de pessoas. A justificativa é que houve retenção superior ao necessário após medidas provisórias editadas em 2025.
Apesar do anúncio, o governo ainda não informou quando os valores serão liberados. Técnicos indicam que a operação depende de aval do Conselho Curador do FGTS e seria considerada simples do ponto de vista operacional.
Paralelamente, outra proposta em análise prevê uma nova rodada de saque extraordinário para trabalhadores em geral, inclusive aqueles que não participam do saque-aniversário. Nesse caso, ainda não há definição sobre quem terá direito, quais contas serão contempladas (ativas ou inativas) nem o valor individual a ser liberado. O montante total em estudo varia entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões.
As medidas integram uma estratégia mais ampla do governo para estimular a renegociação de dívidas e aliviar o orçamento das famílias. Entre as alternativas avaliadas está também o uso ampliado do FGTS como garantia para empréstimos consignados, o que pode reduzir juros ao aumentar a segurança para os bancos.
Mesmo com as sinalizações, especialistas apontam que o pacote ainda está em fase inicial e depende de definições técnicas e políticas. A expectativa é que novos detalhes sejam divulgados após deliberações internas do governo.
Fonte: OGLOBO