Flávio Bolsonaro se aproxima da extrema direita francesa e ataca Macron

O senador Flávio Bolsonaro (PL) intensificou o discurso contra adversários políticos e buscou alinhamento com a extrema direita da França ao conceder entrevista, nesta segunda-feira, ao canal CNews, principal emissora de notícias ligada a esse espectro político no país europeu. Na conversa, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atacou o presidente francês Emmanuel Macron e afirmou que o Brasil “não vive uma democracia plena”.

Pré-candidato à Presidência da República, Flávio também voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado por “inimigos”. A entrevista integrou uma agenda internacional que tem como objetivo consolidar o alinhamento do senador com lideranças conservadoras no exterior e fortalecer seu nome na corrida ao Planalto.

Além da participação no canal francês, Flávio se reuniu com a deputada europeia Marion Maréchal, sobrinha de Marine Le Pen, pré-candidata à presidência da França pelo partido Reunião Nacional (RN) e uma das principais figuras da extrema direita no país. O encontro reforçou o movimento de aproximação com setores conservadores europeus.

Durante a entrevista, o senador afirmou que o Brasil “precisa ser salvo com propostas modernas” e citou o escândalo de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tentando associá-lo ao governo Lula. Ele disse esperar que Brasil e França tenham novos chefes de Estado no próximo ano e classificou Macron como “incompetente”.

Flávio afirmou ainda que o presidente francês teria viajado ao Brasil “apenas para tirar fotos abraçando árvores na Amazônia”, em referência às visitas de Macron ao país. Sem apresentar dados, declarou que a Amazônia teria sido mais preservada durante o governo Jair Bolsonaro.

A apresentadora Christine Kelly apresentou o senador como “favorito” na disputa presidencial de 2026, embora tenha ressaltado que ele aparece em segundo lugar nas pesquisas. Questionado sobre a retirada do ministro do STF Alexandre de Moraes da lista de sancionados pela Lei Magnitsky pelo governo dos Estados Unidos, Flávio minimizou o recuo do presidente Donald Trump, afirmando que o Brasil ocupa posição estratégica na geopolítica mundial.

O senador também defendeu o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, alvo de críticas de políticos e empresários franceses, dizendo que se trata de “um passo adiante” e que não deve impactar produtores da França.

Nas redes sociais, Flávio publicou trechos da entrevista e imagens do encontro com Marion Maréchal, a quem chamou de “jovem liderança da direita conservadora”. Segundo ele, ambos discutiram temas como insegurança, “agenda woke” e o que classificou como “ativismo judicial”.

Desde o início do ano, Flávio Bolsonaro já passou por países como Israel, Catar e Emirados Árabes e pretende cumprir novos compromissos internacionais antes de retornar ao Brasil, onde enfrenta resistências internas e divisões na oposição. Durante a viagem, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro cobrou maior engajamento de apoiadores na pré-candidatura do irmão e criticou aliados que não aderiram à mobilização recente do clã.

Fonte: OGLOBO

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