Funcionário relata mistura química por WhatsApp em piscina onde professora morreu

O manobrista apontado como responsável pela manutenção da piscina da Academia C4 Gym, onde uma professora morreu na Zona Leste de São Paulo, afirmou em depoimento que realizava a mistura dos produtos químicos seguindo instruções recebidas por WhatsApp. O relato foi prestado na manhã desta terça-feira (10) à Polícia Civil.

Identificado como Severino Silva, de 43 anos, o funcionário confirmou ao delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial, que era o responsável pelo preparo das substâncias utilizadas na piscina. Segundo a investigação, ele trabalhava há cerca de três anos no local como ajudante-geral e acumulava funções, atuando também como manobrista.

De acordo com a polícia, Severino não possuía qualquer qualificação técnica ou curso específico para realizar a manutenção da piscina. O delegado afirmou que o funcionário apenas cumpria ordens de um dos sócios da academia, que repassava as orientações remotamente.

As mensagens analisadas mostram que Severino enviava fotos da piscina e das medições realizadas, enquanto recebia instruções detalhadas sobre as proporções de cloro, elevadores de pH e outros produtos químicos. Todo o procedimento era feito à distância, sem acompanhamento presencial. O funcionário declarou que nunca fez curso de piscineiro e que não era habilitado para esse tipo de serviço.

A polícia apura o conteúdo das conversas trocadas por WhatsApp e investiga se parte das mensagens foi apagada. Paralelamente, o número de vítimas no caso subiu para seis. O estado de saúde da nova vítima ainda não foi divulgado.

O caso resultou na morte da professora Juliana Faustino, de 27 anos. O marido dela, Vinícius de Oliveira, segue internado em estado grave, entubado e sedado, mas com sinais de evolução clínica. Um adolescente de 14 anos permanece na UTI em estado grave. Uma aluna de 29 anos continua hospitalizada após apresentar náuseas, vômitos e diarreia, enquanto outro aluno segue em observação.

A academia permanece interditada e funcionava sem alvará. Uma das linhas de investigação considera a hipótese de substituição recente dos produtos utilizados, que seriam mais concentrados e mais baratos. Segundo o delegado, a combinação de cloros de marcas diferentes é inadequada e pode provocar reações químicas perigosas.

Ainda não há laudo conclusivo sobre a causa da morte de Juliana Faustino. O exame de necropsia segue em andamento e deverá apontar o tipo, a concentração e a qualidade dos produtos usados. A polícia afirma haver indícios de crime e trabalha para individualizar as condutas e definir as responsabilidades dos envolvidos.

Fonte: CBN

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