Brasil Fundos previdenciários que investiram no Banco Master acumulam déficits milionários Redação9 de fevereiro de 2026018 visualizações Oito fundos previdenciários estaduais e municipais que aplicaram recursos em letras financeiras do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, apresentam déficit financeiro. O dado consta em levantamento da GloboNews baseado nos balanços mais recentes disponibilizados pelo Ministério da Previdência Social. O estudo considerou 18 fundos previdenciários públicos que, juntos, investiram R$ 1,86 bilhão no banco controlado por Daniel Vorcaro. A lista desses institutos foi divulgada pelo próprio Ministério da Previdência Social no momento da liquidação da instituição financeira. Foram analisados os Demonstrativos de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA) de 2025, que indicam a situação financeira atual de cada fundo. O levantamento identificou que oito deles operam no vermelho. Para o advogado e professor de Direito Previdenciário Rômulo Saraiva, autor do livro “Fraude nos Fundos de Pensão”, é grave a decisão de aplicar recursos destinados a aposentadorias em ativos considerados de alto risco. Segundo ele, mesmo fundos superavitários não deveriam investir em letras financeiras de um banco cuja reputação e capacidade de honrar compromissos já eram questionadas pelo mercado. Saraiva afirma que, em diversos casos, a análise técnica de risco foi substituída por ingerência política. Os investimentos feitos por fundos previdenciários e fundos de investimento no Banco Master não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Com a liquidação, esses valores passam a integrar a massa de credores da instituição. A reportagem solicitou posicionamento oficial dos fundos deficitários, por meio das assessorias das prefeituras ou governos estaduais aos quais estão vinculados. O conteúdo será atualizado conforme o envio das respostas. De acordo com o levantamento, apresentam déficit financeiro os seguintes fundos: o IPREM de Santa Rita do Oeste (SP), com R$ 988,4 mil; o PreviPaulista, com R$ 222,7 mil; o Maceió Previdência, com R$ 299,4 milhões; o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande, com R$ 124,8 milhões; o Araraprev, com R$ 72,4 milhões; o Rioprevidência, com R$ 16,7 milhões entre servidores civis e R$ 8,7 milhões entre militares; o Amazonprev, com R$ 751,1 milhões; e a Amprev, com R$ 394,9 milhões de déficit entre servidores militares. Em notas oficiais, alguns institutos afirmaram que os investimentos seguiram critérios técnicos e estavam regulares à época das aplicações. Outros relataram que as operações foram realizadas em gestões anteriores, sem aprovação interna adequada, e que medidas judiciais e administrativas já estão em andamento para tentar recuperar os valores e responsabilizar os envolvidos. Fonte: G1