Glauber Braga denuncia violência após remoção e critica tratamento diferenciado durante protestos na Câmara

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), retirado à força do plenário após ocupar a cadeira da Presidência da Câmara nesta quarta-feira (10), afirmou que recebeu tratamento muito mais rígido do que o dispensado à oposição em episódios anteriores. Segundo ele, enquanto aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro permaneceram 48 horas ocupando a Mesa Diretora sem abordagem policial direta, sua remoção ocorreu “na base da porrada”, com emprego de força por parte da Polícia Legislativa.

Imagens registradas por parlamentares e assessores mostram Glauber sendo contido com uma gravata e cercado por agentes durante a operação que o retirou da Mesa Diretora. No tumulto, jornalistas também foram agredidos, e uma repórter chegou a levar um soco. A imprensa foi retirada do plenário e o sinal da TV Câmara, cortado — uma medida inédita segundo o próprio deputado.

Glauber declarou solidariedade aos profissionais de imprensa e criticou a interrupção da transparência na sessão. Ele disse ter pedido apenas que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), garantisse a ele “1% do tratamento” dado aos parlamentares que ocuparam a Mesa em agosto, em protesto pela votação da anistia.

O episódio ocorreu no momento em que o processo de cassação do deputado pode ser levado a plenário. A CCJ já aprovou o parecer favorável à cassação, que será analisada junto aos casos de Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem. O deputado, porém, contesta o fato de seu processo — motivado por uma agressão, enquadrada como quebra de decoro — ter sido incluído no mesmo bloco dos demais, que envolvem condenações judiciais ou fuga do país.

Durante a ocupação, Glauber afirmou que não sairia da cadeira até que a possibilidade de votação de sua cassação fosse retirada da pauta. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), sua esposa, e o deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) permaneceram ao seu lado. Parlamentares tentaram negociar uma saída pacífica, mas o clima rapidamente se deteriorou. Vídeos mostram cadeiras caindo e ao menos seis agentes segurando o deputado. Segundo o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), a situação “fugiu do controle”.

A Câmara ainda não confirmou quando a sessão será retomada.

Entenda o caso de cassação
A representação contra Glauber Braga foi apresentada pelo Partido Novo em abril de 2024. Segundo o documento, o deputado teria agredido o militante do MBL Gabriel Costenaro dentro da Câmara, após uma discussão que evoluiu para empurrões e chutes. O Conselho de Ética concluiu que houve agressões e classificou a reação de Glauber como “desproporcional”.

O parlamentar alega ter reagido a provocações reiteradas e cita que Costenaro teria ofendido sua mãe, que faleceu semanas depois do episódio. O caso se estendeu para a área externa da Câmara e culminou em nova discussão no Departamento de Polícia Legislativa, envolvendo também o deputado Kim Kataguiri (União-SP). Embora Kataguiri negue ter sido agredido, o relatório aponta que houve violência.

Aliados de Glauber afirmam que o relator, Paulo Magalhães, mesclou episódios antigos e já arquivados para reforçar a acusação. O relatório cita ainda outros conflitos envolvendo o deputado, incluindo desentendimentos com o então presidente da Casa, Arthur Lira.

Fonte: G1

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