Grafite em Uberlândia transforma cientista da polilaminina em símbolo da ciência brasileira

por Redação

A cientista Tatiana Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da polilaminina — substância que pode auxiliar pessoas com lesões na medula a recuperar total ou parcialmente os movimentos — ganhou uma homenagem em forma de arte urbana em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A imagem da pesquisadora foi retratada pelo grafiteiro Tiago Dequete em um mural no bairro Martins.

Ao divulgar a obra nas redes sociais, Dequete chamou Tatiana de “a maior influenciadora deste país” e definiu o trabalho como uma singela homenagem à pesquisadora que, segundo ele, “está ajudando muita gente a ficar de pé”. A publicação gerou repercussão positiva, com internautas destacando a valorização da ciência brasileira. “Belíssima homenagem!!! Viva a ciência! Viva as mulheres! Viva a arte!”, escreveu uma seguidora.

A homenagem se soma a outras intervenções do artista dedicadas a personalidades brasileiras de destaque nacional e internacional. Em janeiro, Wagner Moura foi retratado no Beco do Planalto após conquistar o Globo de Ouro de Melhor Ator. Antes dele, Fernanda Torres também virou mural depois de trazer ao Brasil o prêmio de Melhor Atriz de Drama, em 2025, por Ainda Estou Aqui.

Natural de Belo Horizonte e morando em Uberlândia desde 2013, Dequete é conhecido pela combinação marcante de verde, laranja e azul em seus trabalhos. Suas obras se espalham pela cidade e são facilmente identificadas pelo estilo característico. Além de figuras públicas, o grafiteiro também retrata pessoas comuns e promove reflexões sociais, ampliando o acesso à arte no espaço urbano.

Tatiana Coelho Sampaio é bióloga e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Desde 1997, ela pesquisa a polilaminina, versão derivada da laminina — proteína produzida naturalmente pelo corpo humano — desenvolvida em laboratório.

No início deste ano, após quase três décadas de estudos, a substância deu origem a um medicamento 100% brasileiro autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a iniciar a fase 1 de testes clínicos. A polilaminina consiste em uma rede de proteínas cuja presença no organismo diminui ao longo da vida.

Em pesquisa anterior, proteínas extraídas de placentas foram utilizadas para aplicação da polilaminina em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos. A substância teria recriado conexões entre neurônios no cérebro e o restante do corpo, devolvendo movimentos a seis deles. Um dos pacientes, paralisado do ombro para baixo, voltou a andar sozinho.

Agora, o medicamento entra na fase inicial de avaliação clínica, etapa em que será analisada a segurança do uso e possíveis reações adversas. Cinco pessoas com lesão completa da medula espinhal receberão uma única aplicação da substância até 48 horas após o trauma e serão acompanhadas por seis meses. Caso não haja reações adversas graves, as próximas fases irão avaliar a eficácia do tratamento na recuperação dos movimentos.

Fonte: G1

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