São Paulo Homem morto em explosão no Tatuapé produzia pólvora em casa, aponta investigação Redação17 de novembro de 2025021 visualizações A explosão que devastou parte de uma rua no Tatuapé, zona leste de São Paulo, na noite de quinta-feira (13), teve origem em um depósito clandestino de fogos de artifício e materiais inflamáveis mantido na edícula de uma residência. A detonação deixou dez pessoas feridas e levou à interdição de ao menos 13 imóveis. O morador responsável pelo espaço, Adir Mariano, de 46 anos, morreu no local. Segundo a Polícia Civil, Adir armazenava e produzia pólvora sem chamar a atenção de vizinhos ou familiares. Sua esposa, que não estava em casa no momento da explosão, declarou desconhecer a fabricação dos artefatos e afirmou que não costumava entrar na edícula. Ela também relatou que o marido saía com frequência para assistir a soltura de balões, prática pela qual ele já havia sido investigado duas vezes. A explosão ocorreu às 19h41 e foi registrada por câmeras de segurança que mostraram crianças brincando poucos segundos antes da detonação. Após o impacto, a rua ficou tomada por poeira, fuligem e destroços, cenário descrito por moradores como “de guerra”. O chão permaneceu em brasa e muitos residentes saíram às pressas de suas casas. A casa de Fátima, vizinha do imóvel onde ocorreu a explosão, foi totalmente interditada. Ela relatou que só consegue observar sua residência da sacada de outra vizinha, já que não há autorização para entrar. “Se eu estivesse aí na hora, eu não estaria conversando com você agora”, afirmou. Andreia, que mora a duas casas do epicentro, também teve a residência destruída. Vidros estilhaçados, móveis quebrados e eletrodomésticos danificados compõem o cenário de perda. Seu marido, Bruno, estava em casa no momento da explosão e enviou um áudio desesperado relatando o ocorrido. Com a chegada do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), a polícia encontrou grande quantidade de material intacto no local, incluindo mais de 1.200 foguetes e uma bomba com quase um quilo de pólvora. Também foram apreendidos nitrato de potássio, enxofre e ferramentas como prensa, peneiras e balança, indicando a produção dos artefatos no próprio imóvel. Para demonstrar o risco existente, o Gate detonou 40 gramas de pólvora — equivalente a dois rojões — em área segura. A explosão gerou forte ruído, onda de choque e fragmentou o recipiente utilizado. Segundo o capitão responsável, o local abrigava material em volume muito maior, ampliando significativamente o perigo a que os moradores estavam expostos. Além dos danos físicos, as famílias atingidas enfrentam agora as consequências emocionais e financeiras. “O susto fica, os traumas ficam”, afirmou Andreia. Fátima, ao observar os objetos destruídos, resumiu o sentimento de perda e resiliência: “Acabou. Não tem mais. Mas vou ter. Recomeçar. Só isso.” Fonte: FANTÁSTICO