Ilha dos Gatos vira alerta ambiental e sanitário na Costa Verde do Rio

por Redação

A Ilha Furtada, localizada entre as baías de Mangaratiba e Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, enfrenta um problema que vai além do abandono animal. Conhecida como “Ilha dos Gatos”, o local abriga atualmente mais de 700 felinos e se tornou alvo de estudos e ações de órgãos públicos devido aos possíveis impactos ambientais e riscos à saúde humana.

Segundo moradores da região, os primeiros gatos chegaram à ilha após serem deixados por uma família que viveu no local na década de 1950. Com o passar dos anos, o abandono de animais se tornou recorrente. Relatos apontam que há até transporte de gatos para a ilha por embarcações particulares, mediante pagamento.

A situação levou à criação do projeto “Uma só saúde na Ilha Furtada”, que reúne pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Fiocruz, Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Instituto Boto Cinza e Prefeitura de Mangaratiba. O objetivo é investigar os impactos da superpopulação de gatos sobre o ecossistema local e desenvolver estratégias para reduzir danos ambientais e sanitários.

Sem fontes naturais de água doce e sem oferta natural de alimento, os animais dependem da ajuda de voluntários e organizações de proteção animal. Além da assistência, equipes realizam resgates de gatos feridos, doentes ou com zoonoses.

Pesquisadores identificaram uma circulação significativa do parasita Toxoplasma gondii entre os felinos da ilha. Estudos da UFRRJ encontraram anticorpos contra o agente causador da toxoplasmose em cerca de 40% dos gatos analisados. A preocupação é que os oocistos eliminados nas fezes dos animais sejam levados pelas chuvas ao mar, contaminando organismos filtradores, como ostras e mexilhões, que podem ser consumidos por pessoas.

Além dos riscos à saúde humana, cientistas investigam possíveis impactos na fauna marinha. Pesquisas realizadas após episódios de mortalidade de golfinhos na Baía de Sepetiba encontraram casos de toxoplasmose em mamíferos marinhos, embora ainda não exista comprovação de ligação direta com a Ilha Furtada.

Como resposta ao problema, a União retomou a posse da ilha em 2024 por interesse público. A Prefeitura de Mangaratiba também aprovou legislação específica para o manejo da população de gatos e ampliou as punições para quem abandonar animais em ilhas da região.

Fonte: OGLOBO

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