O influenciador pernambucano Rafael Francisco Cavalcanti da Silva, conhecido como Rafael Chocolate, foi condenado a pagar quase R$ 50 mil em indenizações por danos morais a pessoas que foram alvo de suas “pegadinhas” gravadas no Centro do Recife.
Duas vítimas alegaram não ter autorizado o uso de suas imagens e afirmaram ter sofrido constrangimento e prejuízos emocionais após a divulgação dos vídeos no YouTube.
O caso das “pegadinhas”
Em um dos vídeos, gravado em 2019 na Avenida Conde da Boa Vista, Rafael aparece jogando baldes sobre pedestres, que reagem de forma surpresa. Mesmo com o rosto borrado, uma das vítimas — um jovem de 25 anos à época — foi reconhecida por amigos. Segundo a advogada Amanda Cavalcante, o episódio provocou ansiedade, depressão e síndrome do pânico, resultando em demissão e mudança de bairro por vergonha da repercussão.
A 7ª Vara Cível da Capital, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), condenou o influenciador a pagar R$ 30 mil de indenização ao rapaz. A sentença transitou em julgado, o que significa que não cabe mais recurso. O vídeo foi editado e o trecho com o jovem foi removido do YouTube ainda em 2021.
A advogada de Rafael Chocolate, Larissa Moura, afirmou que ele “removeu o trecho assim que foi notificado”, ressaltando que a plataforma permite edições e cortes.
Comerciante senegalês também foi vítima
O segundo processo envolve o comerciante Modou Lo, de origem senegalesa, que foi filmado enquanto trabalhava no Centro do Recife. Segundo a defesa, Modou não entendeu o idioma nem percebeu que estava sendo alvo de uma “pegadinha”, que incluía gestos obscenos e brincadeiras de mau gosto.
O advogado Alex Firmino, que representa o comerciante, afirmou que o vídeo foi publicado sem autorização, viralizou e já soma quase 8 milhões de visualizações.
“Ele ficou sem entender o que estava acontecendo e acabou sendo ridicularizado nas redes. Passou dias sem abrir o comércio por vergonha”, disse Firmino.
A 4ª Vara Cível da Capital condenou o influenciador ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, mas a defesa recorreu, e o processo ainda está em andamento.
Segundo Firmino, o caso ilustra a violação de direitos de imagem e de dignidade.
“Essas pegadinhas, sob o pretexto de humor, acabam expondo pessoas e reforçando preconceitos”, afirmou.
Somadas, as condenações chegam a R$ 50 mil.
Fonte: G1