A paulista Gabrielle Gimenes, 28 anos, passou quase um ano dedicando-se integralmente à produção de conteúdo digital, mas decidiu retomar um emprego CLT, mantendo a criação de conteúdo como renda extra. Gabrielle começou a produzir vídeos em 2023, enquanto ainda trabalhava em uma empresa de meios de pagamento, e conseguiu acumular mais de 56 mil seguidores no TikTok.
Apesar do sucesso nas redes, a monetização mostrou-se instável. Em alguns meses, Gabrielle ganhou R$ 2,5 mil, enquanto em outros chegou a receber apenas R$ 30. “A instabilidade financeira e a insegurança foram fatores decisivos para repensar minha carreira exclusivamente digital”, afirmou. Além disso, ela ressaltou sentir falta do convívio diário com colegas e de benefícios do emprego formal, como férias, 13º salário e plano de saúde.
Outro caso semelhante é o de Maíra Post Müller, 31 anos, que também deixou a carreira de influenciadora para assumir cargo CLT como técnica de qualidade. Ela relata que viver de internet é “altamente incerto” e cita exemplos de ganhos irregulares: meses de R$ 500 e outros de R$ 3 mil.
Segundo especialistas, esse movimento reflete uma tendência no mercado de influência: o retorno ao emprego formal não representa esgotamento do modelo, mas sim um amadurecimento. “O esforço nem sempre se traduz em resultado. Isso gera frustração, insegurança e cansaço coletivo”, afirma Giulia Braide, sócia fundadora da MESSS.
O fenômeno também é respaldado por dados: o Brasil é o segundo país do mundo em tempo diário gasto nas redes sociais, mas a maioria dos influenciadores recebe até R$ 5 mil por mês, enquanto apenas 6% ganham mais de R$ 20 mil.
Para muitos criadores, conciliar estabilidade financeira e liberdade digital tornou-se prioridade, redefinindo o conceito de sucesso dentro da creator economy.
Fonte: revistamarieclaire