A participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 entrou em xeque após uma declaração contundente do ministro do Esporte do país, Ahmad Doyanmali. Nesta quarta-feira, o governo iraniano afirmou que a seleção não deverá disputar o torneio, que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México.
Segundo o ministro, o agravamento do conflito militar e a morte de um líder do país tornaram inviável qualquer participação no Mundial. “Dado que este governo corrupto assassinou nosso líder, não há condições sob as quais possamos participar da Copa do Mundo”, declarou, de acordo com o jornal espanhol Sport.
Doyanmali afirmou ainda que o país enfrenta um período de forte instabilidade após sucessivos confrontos armados. “Fomos submetidos a duas guerras em oito ou nove meses, e vários milhares de nossos cidadãos foram mortos. Portanto, não temos possibilidade de participar dessa forma”, acrescentou.
A posição contrasta com o que foi divulgado pela Fifa um dia antes. Na terça-feira, o presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou que a seleção iraniana teria autorização para entrar nos Estados Unidos e disputar normalmente o torneio.
Infantino disse ter discutido o tema diretamente com o presidente americano Donald Trump durante uma reunião sobre os preparativos para a Copa do Mundo. “Durante as discussões, o presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é, obviamente, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos”, afirmou o dirigente.
Caso a decisão seja confirmada, o Irã ficará fora de sua quarta Copa do Mundo consecutiva. A equipe já havia garantido classificação e tinha três jogos previstos na fase de grupos em território americano: contra Nova Zelândia e Bélgica, em Los Angeles, e diante do Egito, em Seattle.
Com a eventual desistência, o regulamento da Fifa prevê multa mínima de 250 mil francos suíços à federação do país que abandonar a competição. A entidade também terá autonomia para decidir como reorganizar o torneio.
Entre as possibilidades, a Fifa pode manter o grupo com apenas três seleções ou convidar outro país para ocupar a vaga deixada pela equipe asiática. Segundo a BBC, possíveis substitutos poderiam vir das fases finais das eliminatórias asiáticas, como Emirados Árabes Unidos ou Iraque, ou ainda de equipes envolvidas na repescagem intercontinental.
Fonte: OGLOBO