Justiça Eleitoral manda remover 21 postagens contra Tarcísio e multa aliado de Haddad por vídeo com IA

por Redação

A Justiça Eleitoral determinou a retirada de 21 publicações consideradas irregulares contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição. As decisões liminares, proferidas por diferentes magistrados do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), apontam propaganda eleitoral antecipada negativa, impulsionamento irregular e divulgação de informações falsas contra o governador.

Em uma das decisões, a juíza auxiliar do TRE-SP Domitila Manssur condenou o deputado estadual Emídio de Souza (PT), coordenador do programa de governo da pré-campanha de Fernando Haddad (PT), ao pagamento de multa de R$ 10 mil por divulgar um vídeo produzido com inteligência artificial que associava a imagem de Tarcísio ao personagem Chucky, da franquia de filmes de terror.

Além da multa, a magistrada tornou definitiva a retirada da publicação e proibiu sua republicação.

As ações foram ajuizadas pelo diretório estadual do Republicanos contra publicações feitas por parlamentares petistas e por páginas que se apresentam como independentes. Segundo a pré-campanha de Tarcísio, os conteúdos impulsionados tinham caráter negativo e buscavam atacar a imagem do governador durante o período de pré-campanha.

Entre os alvos das decisões estão publicações dos deputados estaduais Antonio Donato, Jilmar Tatto e Emídio de Souza, além de anúncios divulgados por perfis anônimos nas redes sociais.

Em nota, Emídio de Souza afirmou que considera “lamentável que o governador e o seu partido no desespero recorram a um processo judicial para tentar responder uma crítica política”.

O deputado também declarou que a decisão não é definitiva, que ainda cabe recurso e que confia no reconhecimento, pela Justiça, da fiscalização como um dos pilares da atividade parlamentar.

Vídeo com inteligência artificial

Na decisão proferida na segunda-feira (13), a juíza Domitila Manssur entendeu que o vídeo divulgado por Emídio extrapolou os limites da crítica política ao utilizar inteligência artificial para manipular a imagem de uma pessoa viva sem a identificação exigida pela legislação eleitoral.

Segundo a magistrada, o conteúdo substituía artificialmente a imagem de Tarcísio pela do personagem Chucky e inseria o governador em uma narrativa com cenas de violência extrema, incluindo explosões, atos de vandalismo, criminalidade e feminicídios.

Na decisão, a juíza afirmou que a mensagem deixava de ser uma mera caricatura ou ridicularização para construir uma narrativa destinada a atribuir ao agente político, ainda que simbolicamente, responsabilidade pelo cenário de violência apresentado.

A magistrada também ressaltou que a legislação eleitoral não proíbe o uso de inteligência artificial, mas veda sua utilização para criar ou manipular a imagem de pessoas vivas com o objetivo de favorecer ou prejudicar candidaturas, além de exigir identificação explícita quando esse recurso é empregado.

Além da multa de R$ 10 mil, a sentença fixou multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento da ordem de retirada do vídeo e proibiu sua republicação.

A juíza ainda extinguiu o processo em relação ao Diretório Estadual do PT e à Federação Brasil da Esperança, por entender que não havia provas suficientes de que os perfis mencionados pertenciam às duas legendas.

Série de decisões

Segundo a pré-campanha de Tarcísio de Freitas, as 21 decisões judiciais obtidas até o momento determinaram a remoção de conteúdos publicados por parlamentares do PT e por páginas anônimas.

De acordo com o grupo político, as decisões reconheceram diferentes irregularidades, entre elas propaganda eleitoral antecipada negativa, impulsionamento de conteúdo contra adversários e divulgação de informações falsas.

Em nota, a pré-campanha afirmou que o conjunto das decisões demonstra “uma ofensiva organizada para produzir e impulsionar ataques” ao governador, com uso de perfis anônimos, inteligência artificial e estratégias de disseminação em massa.

O grupo também declarou reafirmar “o compromisso com a verdade, o debate de propostas e o respeito à legislação eleitoral”, além de repudiar “o uso da desinformação e de expedientes ilegais como instrumentos de disputa política”.

Fonte: G1

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