Lula destaca avanço em ‘justiça tributária’ ao anunciar isenção de IR para renda até R$ 5 mil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo a nova lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para contribuintes que ganham até R$ 5 mil por mês. Em pronunciamento em rede nacional, ele afirmou que a mudança representa uma inflexão histórica na política tributária brasileira ao substituir “privilégios de uma pequena elite financeira” por benefícios distribuídos à maioria da população.

Aprovada por unanimidade no Congresso, a medida atende a uma promessa de campanha de 2022 e deve se tornar um dos principais pilares da estratégia eleitoral do governo para o próximo ano. Durante o discurso, Lula reforçou o compromisso de redução das desigualdades e destacou programas sociais como Bolsa Família, Pé de Meia, Luz do Povo e Gás do Povo.

O presidente explicou que, a partir de janeiro, quem recebe até R$ 5 mil deixará de ter desconto de IR na folha. A redução também alcança trabalhadores que ganham até R$ 7.350, que passarão a pagar menos imposto. Segundo ele, um trabalhador com salário de R$ 4.800 poderá economizar cerca de R$ 4 mil ao ano, o equivalente a quase um 14º salário.

Lula afirmou que a compensação pela perda de arrecadação virá da taxação de aproximadamente 140 mil pessoas com renda anual acima de R$ 1 milhão. A expectativa, segundo informações da Receita Federal citadas no pronunciamento, é que a medida injete R$ 28 bilhões na economia.

O presidente reiterou que os ajustes não afetarão áreas essenciais, como saúde e educação. Ele criticou a disparidade na carga tributária entre assalariados e pessoas que vivem de renda, argumentando que trabalhadores chegam a pagar até 27,5% de imposto, enquanto quem possui patrimônio elevado arca, em média, com 2,5%.

Lula também relacionou a mudança no IR a uma estratégia mais ampla de enfrentamento da desigualdade, citando dados recentes do Ipea que apontam os menores índices de pobreza e desigualdade desde 1995. Para ele, apesar de a reforma representar “um passo decisivo”, ainda há avanços necessários diante da concentração de riqueza no país — onde o 1% mais rico detém 63% do patrimônio nacional, enquanto a metade mais pobre possui apenas 2%.

Fonte: OGLOBO

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