‘Máfia dos concursos’: PF revela esquema familiar que cobrava até R$ 500 mil por vaga em cargos públicos

A Polícia Federal deflagrou, na última semana, a Operação Última Fase, que desarticulou um esquema criminoso de fraudes em concursos públicos que funcionava há mais de dez anos. A quadrilha, com base em Patos, no Sertão da Paraíba, é apontada como responsável por negociar vagas em certames de diferentes órgãos federais e estaduais, cobrando valores que chegavam a R$ 500 mil.

Segundo as investigações, o grupo utilizava métodos sofisticados para fraudar provas, incluindo pontos eletrônicos implantados cirurgicamente, comunicação em tempo real e até uso de dublês. Além de dinheiro vivo, os pagamentos eram feitos em ouro, veículos e até procedimentos odontológicos.

O esquema era liderado por Wanderlan Limeira de Sousa, ex-policial militar expulso da corporação em 2021, que, segundo a PF, negociava diretamente com candidatos e coordenava a distribuição de gabaritos. Ele próprio chegou a ser aprovado no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024 para auditor fiscal do trabalho, cargo com salário inicial de R$ 22,9 mil, mas não compareceu ao curso de formação.

A quadrilha atuava de forma estruturada, com a participação de familiares de Wanderlan. A sobrinha, Larissa de Oliveira Neves, também aprovada no CNU, era usada como “vitrine” para atrair interessados. Outras figuras centrais identificadas foram o policial militar Ariosvaldo Lucena de Sousa Júnior, suspeito de lavar dinheiro por meio de clínica odontológica, e Thyago José de Andrade, apontado como responsável pelos pagamentos.

Entre as provas reunidas pela PF está a análise de gabaritos do CNU 2024, que mostrou respostas idênticas entre quatro candidatos, inclusive nos erros. O laudo técnico afirma que a probabilidade de isso ocorrer ao acaso é equivalente a ganhar a Mega-Sena até 19 vezes seguidas.

A investigação identificou a atuação da quadrilha em dezenas de concursos desde 2015, incluindo seleções da Polícia Federal, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Polícias Civil e Militar e Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Três pessoas foram presas preventivamente em Recife (PE) e Patos (PB). As defesas dos investigados negam as acusações e alegam que não há provas definitivas contra eles. O caso segue em segredo de justiça.

Fonte: G1

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