Marcos do Val: quem é senador que viajou ao exterior, contrariando decisão de Moraes

O senador Marcos Ribeiro do Val (Podemos-ES) viajou para os Estados Unidos nesta quinta-feira (24), desobedecendo uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O político saiu do país usando seu passaporte diplomático.

Em agosto do ano passado, Moraes determinou a apreensão dos passaportes de do Val, inclusive o diplomático, e o bloqueio de R$ 50 milhões da conta dele, no âmbito de um inquérito aberto pela PF para apurar ofensas e ataques contra investigadores da instituição.

Quem é Marcos do Val?

Antes de ser político e se tornar senador já na primeira eleição que disputou, Marcos do Val foi militar do Exército Brasileiro no 38º Batalhão de Infantaria e instrutor da Swat (grupo de elite da polícia americana).

Com 863.359 votos, foi eleito senador pelo PPS (atual Cidadania) em 2018, na onda bolsonarista, mas integrando a coligação do atual governador Renato Casagrande (PSB), que na época tentava voltar ao cargo.

Marcos do Val nasceu em Vitória (ES) em 1970. De acordo com seu site oficial, o senador é mestre em Aikido, especialista em Resgate de Reféns, abordagens táticas, CQB (combate a curta distância), Planejamento Operacional e fundador de uma empresa especializada no desenvolvimento de técnicas de imobilizações táticas.

Segundo o próprio site, o senador levou treinamentos a agentes da Swat, Nasa (agência espacial), FBI (polícia federal) e dos Navy Seals (Marinha americana), todos nos Estados Unidos.

À frente da empresa, Marcos do Val passou a prestar consultorias a várias corporações no Brasil e em outros países como EUA, China, França, Espanha, Luxemburgo, Bélgica, Itália, Portugal, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Equador e Colômbia.

Marcos do Val também treinou atores e figurantes do filme “Tropa de Elite”, além de participar de programas de TV.

Por que ele não poderia sair do país?
Moraes determinou, em agosto do ano passado, a apreensão dos passaportes de do Val e o bloqueio de R$ 50 milhões da conta dele (relembre mais abaixo).

A PF cumpriu mandados em endereços do senador em Vitória com o objetivo de apreender o passaporte diplomático. No entanto, o documento não foi retido, porque estaria no gabinete de do Val, em Brasília (relembre no vídeo abaixo).

Em 15 de julho, do Val encaminhou um pedido ao STF para viajar com a família a Orlando. No dia seguinte, Moraes negou o requerimento.

Segundo Moraes, não existe motivo para revogar as medidas cautelares, já que a investigação da qual do Val é alvo ainda está em curso.

Em nota oficial, o parlamentar afirmou que viajou “com toda a documentação diplomática e consular plenamente regular” e disse que a saída do país foi informada antecipadamente ao STF, ao Ministério das Relações Exteriores e ao Senado Federal.

Uma decisão unânime da Primeira Turma do STF, em fevereiro de 2025, rejeitou recurso do senador e manteve a determinação de bloqueio e entrega dos passaportes — inclusive o diplomático (um tipo de passaporte especial emitido pelo Itamaraty).

➡️ A medida cautelar foi mantida diante da suspeita de que do Val integrava um grupo que estaria realizando campanha de intimidação contra policiais federais.
Em outras situações de apreensão de passaportes, a Polícia Federal informou que não cabia a ela, mas ao Itamaraty, reter passaportes diplomáticos.

No caso da saída de do Val do país, nem PF, nem Itamaraty se manifestaram oficialmente até a última publicação desta reportagem.

Fonte: G1

Notícias Relacionadas

Homem morre após intestino ser perfurado durante colonoscopia em clínica particular de RO

Elevador despenca nove andares em galeria no Recife e deixa mulheres feridas

United Airlines passa a exigir fones de ouvido em voos e ameaça banir passageiros barulhentos