Tecnologia “Me sinto valorizado”: profissionais que desenvolvem agentes de IA destacam avanço e desafios da nova área tecnológica Redação11 de novembro de 2025022 visualizações A demanda por especialistas em inteligência artificial (IA) continua crescendo em ritmo acelerado, e um dos campos que mais se destaca é o dos agentes de IA — sistemas autônomos capazes de executar tarefas sem intervenção humana. A atuação nessa área vem criando novas oportunidades e redefinindo carreiras no setor de tecnologia. A engenheira de IA Evellyn Nicole, de 22 anos, trabalha em uma grande empresa do setor elétrico e conta que, no início, enfrentou resistência da família por apostar em uma profissão ainda pouco conhecida. “Uma tia me disse que eu deveria escolher algo que desse dinheiro, como medicina ou engenharia tradicional”, relembra.Hoje, Evellyn afirma se sentir valorizada e reconhecida por atuar em um campo promissor. Segundo o Guia Salarial 2026 da consultoria Robert Half, engenheiros de IA podem receber entre R$ 19,5 mil e R$ 27,1 mil. De acordo com levantamento da Catho, os salários na área variam de R$ 3,5 mil a R$ 20 mil, dependendo da função e do nível de especialização. O professor Cleber Zanchettin, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), aponta que a procura por profissionais cresce acima de 20% ao ano no Brasil e pode superar 30% no cenário global. “A demanda por especialistas em IA só cresce há mais de cinco anos, e o mercado ainda não consegue suprir essa necessidade”, explica. O trabalho de quem cria agentes de IA exige domínio técnico e capacidade analítica. Esses sistemas são baseados em modelos de linguagem (LLMs) — o mesmo tipo de tecnologia usada em ferramentas como ChatGPT, Copilot e Gemini — e podem automatizar tarefas que vão desde o atendimento ao cliente até a análise de grandes volumes de dados corporativos. Um exemplo é o de João Gama, 19 anos, técnico júnior em uma empresa de aluguel de veículos. Ele participou do desenvolvimento de um agente que analisa relatórios de inspeção da frota e identifica problemas automaticamente. “O sistema envia alertas à equipe e agiliza as decisões. É uma habilidade muito valorizada”, afirma. Na empresa em que trabalha, Evellyn desenvolve robôs que automatizam tarefas repetitivas e facilitam o acesso a informações internas. “Qualquer pessoa pode digitar, por exemplo, ‘quanto vendi hoje?’ e o agente responde na hora, sem precisar programar”, explica. Os profissionais destacam também os desafios do setor, como a rápida evolução tecnológica e a escassez de materiais em português. Um dos principais obstáculos técnicos são as chamadas “alucinações” da IA, quando o sistema gera respostas erradas. “Um dia funciona, no outro, não. É preciso ajustar o tempo todo”, diz Evellyn. Especialistas recomendam estudar Python, fundamentos de machine learning, IA generativa e análise de dados, além de conhecer ferramentas como LangChain, CrewAI e Langflow. Participar de hackathons e eventos de inovação também ajuda a aprimorar habilidades práticas e manter-se atualizado em um dos campos mais dinâmicos da tecnologia moderna. Fonte: G1