Megaoperação na Penha e no Alemão: 99 mortos identificados, 78 com antecedentes criminais e 40 vindos de outros estados

A Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou, nesta sexta-feira (31), o balanço atualizado da megaoperação realizada na última terça-feira nos complexos da Penha e do Alemão. Entre os 117 mortos considerados suspeitos pela polícia, 99 já foram identificados, sendo 40 provenientes de outros estados e 78 com anotações criminais.

Segundo o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, entre os mortos havia 42 com mandados de prisão em aberto e criminosos de alta periculosidade ligados a facções de fora do Rio.
“Do Espírito Santo, Russo, chefe do tráfico em Vitória. Do Amazonas, Chico Rato e Gringo, chefes do tráfico em Manaus. Da Bahia, Mazola, chefe do tráfico de Feira de Santana. De Goiás, Fernando Henrique dos Santos, chefe do tráfico naquele estado”, exemplificou Curi.

A operação também resultou em 113 prisões, das quais 33 de pessoas oriundas de outros estados e 10 adolescentes. Segundo o secretário, 54 presos possuem antecedentes criminais e todos tiveram prisão preventiva decretada na audiência de custódia.

Bases nacionais do Comando Vermelho

Curi afirmou que os complexos da Penha e do Alemão se consolidaram como quartéis-generais do Comando Vermelho em nível nacional, deixando de ser apenas centros de comando regionais.
“Esses locais passaram a ser o QG do Comando Vermelho em nível nacional. É de lá que partem ordens e diretrizes da facção para outros estados do Brasil”, destacou.

O secretário afirmou ainda que as comunidades funcionam como bases de treinamento e recrutamento de criminosos vindos de fora do Rio, que seriam formados e depois retornariam aos seus estados para expandir a atuação do Comando Vermelho.

Narcoterrorismo e cenário de guerra

Felipe Curi também destacou o papel de Edgar Alves de Andrade, o Doca, de 55 anos, apontado como um dos principais líderes do tráfico no Alemão. Segundo ele, Doca “personifica o narcoterrorista”.
“É um criminoso que ordenava execuções, impunha a lei do silêncio e aterrorizava moradores. Tivemos relatos de que a comunidade não aguenta mais o Doca. Prendê-lo é questão de tempo”, disse.

O secretário negou que tenha havido vazamento da operação, afirmando que “a movimentação de policiais acabou chamando atenção dos criminosos”.

Curi concluiu dizendo que o cenário enfrentado pelas forças de segurança foi de ‘guerra irregular e assimétrica’, pedindo uma mobilização nacional contra o narcoterrorismo:
“Essas organizações não são mais criminosas comuns, são narcoterroristas. É um desafio que precisa ser enfrentado de forma nacional.”

Fonte: OGLOBO

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