Um menino de oito anos foi alvo de injúria racial durante um campeonato de futebol soçaite realizado neste domingo (9) na Vila Olímpica do Uberlândia Esporte Clube, em Minas Gerais. Segundo o Boletim de Ocorrência, o garoto, que atua pela escola de futebol Cafu, foi chamado de “macaco feioso” e “pobre favelado preto” enquanto se preparava para cobrar um pênalti.
Outro homem presente no evento, supostamente pai de um colega de equipe do menino, também foi ofendido e chamado de “macaco preto” e “pobre da roça”. As agressões partiram de duas mulheres, de 31 e 38 anos, que estavam na torcida do time adversário, o Base.
De acordo com a Polícia Militar, as mulheres foram detidas ainda na Vila Olímpica e conduzidas à delegacia, onde tiveram a prisão em flagrante confirmada pelo crime de injúria racial. Ambas foram encaminhadas à Penitenciária Pimenta da Veiga, mas uma decisão judicial concedeu liberdade provisória nesta terça-feira (10).
O organizador da Copa Uberlândia, Walllisson Fortunato, afirmou que a coordenação do torneio impediu que as pessoas deixassem o local até a chegada da PM e repudiou qualquer ato de discriminação. Em nota, a organização destacou que “o esporte deve educar e inspirar, e não reproduzir práticas que ferem a dignidade humana”.
A escola Base, que tinha torcedores entre as autoras dos insultos, divulgou nota em que repudia o comportamento das envolvidas e anunciou a retirada de suas equipes da competição “como forma de reparo simbólico aos danos causados”.
O Uberlândia Esporte Clube, responsável apenas pela locação do espaço, declarou não ter vínculo com o evento e reafirmou seu repúdio a qualquer forma de intolerância.
As duas mulheres negaram as acusações, alegando que houve apenas discussões de jogo. O caso foi registrado pela Polícia Civil e será investigado como injúria racial, crime previsto no artigo 140 do Código Penal e equiparado ao racismo desde 2023.
Fonte: GE