Metanol usado na higienização de garrafas é principal linha de investigação em casos de intoxicação

A Polícia Civil de São Paulo apura se o uso de metanol na higienização de garrafas seria a origem das intoxicações por bebidas adulteradas registradas nos últimos dias no estado. Segundo fontes ouvidas pela TV Globo, fábricas clandestinas estariam utilizando o produto — ou etanol batizado com metanol — para limpar recipientes antes do envasamento de bebidas falsificadas.

As investigações tiveram início a partir do rastreamento das bebidas ingeridas pelas vítimas. A polícia seguiu a rota desde bares até distribuidoras e chegou a fábricas clandestinas, suspeitas de operar o esquema. Ainda não há informações sobre os responsáveis nem sobre a origem do metanol, que não tem comercialização regular no Brasil.

? Força-tarefa e análises
Nesta sexta-feira (3), o Instituto de Criminalística (IC) anunciou a criação de uma força-tarefa para examinar as garrafas apreendidas. Mais de mil foram recolhidas pela Polícia Civil e pela Vigilância Sanitária; 250 já chegaram ao IC para análise.

O processo envolve duas etapas:

Documentoscopia – verificação de selo, rótulo, lacre e vedação das garrafas, identificando sinais de adulteração;

Análise química – exames em laboratório para detectar substâncias presentes no líquido.

Até agora, 10 garrafas foram analisadas, e duas apresentaram resultado positivo para presença de metanol. Os laudos estão sendo enviados à Polícia Civil, que prossegue com as apurações.

⚠️ Riscos à saúde
Diferente do etanol, usado em bebidas alcoólicas comuns, o metanol não é seguro para consumo humano. Incolor e sem cheiro, pode ser misturado ilegalmente às bebidas sem que o consumidor perceba.

Ao ser metabolizado, transforma-se em substâncias altamente tóxicas, como o ácido fórmico, capaz de causar danos graves e rápidos: visão borrada, tontura, dor abdominal, respiração acelerada e, em casos mais graves, cegueira irreversível, falência de órgãos e morte.

Respostas do governo
O Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação nacional para monitorar os casos em conjunto com Anvisa, vigilâncias sanitárias e outros órgãos federais. O país também corre para adquirir antídotos, como o fomepizol e o etanol farmacêutico, para reforçar a rede hospitalar.

Fonte: G1

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