Polícia Federal Moraes manda PF intimar presidente da Unafisco após críticas a operação contra auditores Redação20 de fevereiro de 2026015 visualizações O presidente da Unafisco Nacional, Kléber Cabral, foi intimado a prestar depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (20), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A intimação ocorre dois dias após Cabral conceder entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, na quarta-feira (18), em que criticou a operação da PF contra auditores da Receita Federal suspeitos de vazamento de dados sigilosos de ministros do STF. A operação também foi determinada por Moraes no âmbito do inquérito das fake news, do qual é relator. Até o momento, não há informações oficiais sobre o motivo da intimação nem se ela está diretamente relacionada às declarações feitas por Cabral. Também não foi esclarecido se ele será ouvido como testemunha ou investigado. Na entrevista, Cabral afirmou que as medidas impostas aos auditores constrangem a categoria e impactam a atuação funcional. “Esse tipo de medida busca humilhar, constranger e amedrontar. Se você perguntar hoje quem está disposto a organizar um grupo de fiscalização para investigar autoridades, provavelmente não encontrará ninguém. Tornou-se menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República”, declarou. A operação da PF foi deflagrada na terça-feira (17), com cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Salvador, Guarujá e São José do Rio Preto. As medidas foram autorizadas por Moraes após representação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os quatro auditores alvos tiveram celulares apreendidos, foram afastados das funções públicas, passaram a usar tornozeleira eletrônica, tiveram passaportes cancelados e estão proibidos de deixar o país. Eles podem responder por violação de sigilo funcional, acesso indevido a sistemas de informação e vazamento de dados sigilosos. Durante a entrevista, Cabral relatou que um dos auditores confirmou ter acessado dados de um parente do ministro Gilmar Mendes, mas negou ter consultado informações sigilosas de contas bancárias. Segundo ele, o servidor acessou, em novembro do ano passado, uma tela inicial de vínculo de parente ligada a uma declaração de 2008 para verificar se se tratava de uma conhecida com o mesmo sobrenome. “Pode fazer isso? Não pode”, afirmou. Cabral acrescentou que o auditor não ultrapassou a tela inicial e que o caso “não tem absolutamente nada a ver com os fatos que estariam sendo investigados”. O STF informou que a operação foi autorizada após a constatação de “diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal e o vazamento das informações sigilosas”. Em nota, a Receita Federal afirmou que conduz auditoria interna, que irregularidades já identificadas foram comunicadas ao relator do caso no Supremo e que os sistemas são rastreáveis, o que permitiu identificar acessos considerados indevidos. Fonte: G1