O motorista Demóstenes Dias de Macedo, de 64 anos, preso após atropelar e matar duas crianças em Diadema, na Grande São Paulo, admitiu à polícia que havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente ocorrido na sexta-feira (3). Em depoimento, ele afirmou ter bebido uma lata de cerveja pela manhã e declarou que se “confundiu com os pedais” do carro no momento da colisão.
Segundo o relato, o motorista colocou o veículo em modo “drive” e alegou que o acelerador teria travado, impedindo a frenagem. No entanto, exames médicos confirmaram que ele estava embriagado no momento do atropelamento. Para os investigadores, não há dúvida de que ele assumiu o risco ao dirigir após consumir álcool.
Imagens de câmeras de segurança mostram o carro descendo a Rua Santa Cruz em alta velocidade, já sem controle, antes de invadir a calçada após bater em uma mureta e um portão. No local, quatro crianças brincavam de pular corda quando foram atingidas. Os irmãos Sophia, de 10 anos, e Izaias de Oliveira Santos, de 5, morreram na hora. Outras duas crianças ficaram feridas, sendo que uma delas, de 8 anos, passou por cirurgia após fraturar os dois tornozelos. Uma quinta criança escapou por pouco e chegou a ser atingida por uma moto logo após a colisão, sendo retirada rapidamente pelo pai.
Testemunhas relataram que o motorista tentou fugir após o atropelamento, mas foi contido por moradores até a chegada da polícia. Ele apresentava sinais de embriaguez, posteriormente confirmados por exame. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o caso foi registrado como homicídio doloso e lesão corporal dolosa.
Demóstenes passou por audiência de custódia no sábado (4), e a prisão em flagrante foi convertida em preventiva pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em depoimento, ele também alegou estar abalado emocionalmente por conta de uma separação recente.
O caso gerou forte comoção no bairro Jardim ABC, onde moradores afirmam que a rua é tranquila e frequentada por crianças. No sábado (5), vizinhos realizaram uma manifestação silenciosa pedindo justiça. O pai das vítimas esteve no Instituto Médico Legal (IML) de São Bernardo do Campo para liberação dos corpos, que serão enterrados na segunda-feira (6), em Taquarana, no interior de Alagoas, terra de origem da família.
Fonte: G1