Negócios milionários ligam Ibaneis a fundos do ecossistema Master

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), mantém relações comerciais com fundos ligados ao chamado ecossistema do Banco Master desde pelo menos 2019. Naquele ano, ainda no exercício do mandato, ele assinou contrato de venda de direitos sobre R$ 4,4 milhões em honorários de precatórios de seu escritório de advocacia para o fundo BLP PCJ VII, administrado pela corretora Planner, então controlada por Maurício Quadrado.

O fundo foi representado na negociação por Artur Martins de Figueiredo, diretor de uma holding que já foi acionista do Master e citado em investigações da Polícia Federal. A transação integra uma série de contratos semelhantes envolvendo o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria, atualmente comandado por seu filho, Caio Barros.

Reportagens recentes revelaram outros dois acordos: um no valor de R$ 38 milhões e outro de R$ 10 milhões, ambos firmados com fundos ligados à gestora Reag, investigada no caso Master. Somadas as três operações, os valores cedidos chegam a R$ 52,9 milhões. Segundo o escritório, cerca de R$ 12 milhões foram efetivamente recebidos, já que esse tipo de negociação costuma ocorrer com deságio para antecipação de recursos.

O contrato mais antigo refere-se à cessão de honorários decorrentes de uma ação movida pelo Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho dos Estados de Rondônia e Acre (Sinjustra), em tramitação desde 2011. A prática, comum no mercado jurídico-financeiro, consiste na venda antecipada do direito de recebimento de valores considerados de difícil liquidação.

A existência de múltiplas operações sugere um padrão de negócios envolvendo a venda de honorários como forma de relacionamento com fundos e instituições ligadas ao Master. Parte dessas gestoras foi citada em investigações como as operações Compliance Zero e Carbono Oculto, que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o mercado financeiro e o setor de combustíveis.

A participação direta de Ibaneis no contrato de 2019, como avalista solidário da negociação, contrasta com declarações anteriores do governador de que estaria afastado das atividades do escritório desde sua eleição em 2018. O documento traz sua assinatura reconhecida em cartório, além da inclusão como garantidores de uma empresa do próprio governador e de sócios da banca à época.

Procurado, o escritório afirmou tratar-se de operação regular e amplamente praticada no mercado. Já a Planner declarou ter atuado apenas como representante legal do fundo, dentro da regulamentação vigente. Até o fechamento da reportagem, Ibaneis Rocha não havia se manifestado por meio de sua defesa.

As negociações ocorrem em meio a investigações sobre o Banco Master e seus investidores, incluindo suspeitas de operações complexas para capitalização da instituição e compra de ativos considerados fraudulentos. Personagens ligados ao banco também aparecem em episódios anteriores envolvendo outras operações policiais e controvérsias no mercado financeiro.

Fonte: OGLOBO

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