Novo líder supremo do Irã promete vingança e ameaça atacar bases dos EUA em primeira declaração

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, fez sua primeira declaração oficial no cargo e adotou um tom duro em relação aos adversários do país. Em mensagem lida pela TV estatal, ele prometeu vingança pelos “mártires” iranianos e afirmou que bases militares dos Estados Unidos na região devem ser fechadas imediatamente, sob risco de ataques.

Filho do antigo líder Ali Khamenei, morto no fim de fevereiro em um bombardeio atribuído a forças dos Estados Unidos e de Israel, Mojtaba ainda não apareceu publicamente desde que foi escolhido pela Assembleia de Especialistas para assumir o comando da República Islâmica.

Na declaração, ele também afirmou que o Estreito de Ormuz continuará fechado como forma de pressionar adversários no conflito. Segundo o novo líder, o Irã mantém amizade com países vizinhos e direciona ataques apenas a bases consideradas inimigas.

“Não nos absteremos de vingar o sangue de nossos mártires”, afirmou Khamenei, ao pedir unidade nacional e reforçar a continuidade da resistência contra adversários.

Ele também declarou que pessoas afetadas pela guerra receberão compensações financeiras e tratamento médico gratuito, enquanto o país buscará exigir reparações dos inimigos.

“Vamos exigir compensação do inimigo. Se não conseguirmos compensação, destruiremos suas propriedades tanto quanto eles destruíram as nossas”, declarou.

Durante o discurso, o líder iraniano agradeceu aos combatentes da chamada “Frente de Resistência”, grupo que reúne aliados regionais do Irã, classificando-os como “os melhores amigos do país” e parte fundamental dos valores da Revolução Islâmica.

Além da declaração, o governo iraniano divulgou nesta quinta-feira (12), em um canal oficial no Telegram atribuído a Mojtaba Khamenei, uma imagem com a caligrafia usada pelo novo líder. A publicação traz uma lista com os nomes dos líderes supremos do Irã — Ruhollah Khomeini, Ali Khamenei e Mojtaba Khamenei — acompanhada da frase “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”, expressão comum no início de capítulos do Alcorão.

No texto completo divulgado, Khamenei apresentou condolências pela morte do pai e afirmou que assumir o cargo após figuras como Khomeini e Ali Khamenei representa uma tarefa difícil. Ele também destacou o papel do povo iraniano durante o período recente de instabilidade e pediu unidade nacional diante da guerra.

Ferimentos e ausência pública

Autoridades iranianas afirmaram à agência Reuters que Mojtaba Khamenei sofreu ferimentos leves, mas continua exercendo suas funções. Segundo informações citadas pela CNN, ele teria sofrido uma fratura no pé, contusão próxima ao olho esquerdo e pequenos cortes no rosto.

Fontes israelenses indicaram anteriormente que ele teria sido ferido em uma tentativa de assassinato na semana passada, o que alimentou rumores sobre seu estado de saúde. Desde sua nomeação, o novo líder não apareceu em público.

O filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, Yousef Pezeshkian, afirmou em mensagem no Telegram que Khamenei foi ferido, mas está “seguro e não há motivos para preocupação”.

A Reuters também apontou que a escolha de Mojtaba Khamenei para liderar o país contou com forte apoio da Guarda Revolucionária, considerada uma das estruturas mais poderosas do regime iraniano.

Estreito de Ormuz e tensão global

Enquanto o Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado, os Estados Unidos indicaram que ainda não estão preparados para escoltar navios comerciais pela região, uma das rotas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou em entrevista à CNBC que a possibilidade de escolta naval só deve ocorrer no final do mês.

Segundo ele, os recursos militares americanos estão atualmente concentrados em operações voltadas para enfraquecer capacidades ofensivas do Irã e sua indústria militar.

Wright também reconheceu que a alta do petróleo e dos combustíveis representa um “sofrimento de curto prazo” diante da estratégia de longo prazo adotada pelo governo dos Estados Unidos.

Nos últimos dias, o secretário também se envolveu em polêmica após publicar nas redes sociais uma informação incorreta afirmando que a Marinha americana já havia escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz. A mensagem foi apagada minutos depois.

Autoridades do Departamento de Energia confirmaram posteriormente que as forças armadas dos Estados Unidos não estão atualmente realizando escoltas de navios comerciais na região.

Fonte: CBN

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