As novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) passam a valer nesta quarta-feira (22), com financiamento já liberado pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. As mudanças ampliam significativamente o alcance do programa, permitindo a compra de imóveis de até R$ 600 mil por famílias com renda mensal de até R$ 13 mil.
Na prática, o governo federal elevou os limites de renda em todas as faixas e aumentou o valor máximo dos imóveis financiados. Com isso, famílias que antes ficavam fora do programa ou tinham acesso a condições mais restritivas passam a contar com juros menores e maior capacidade de compra. A estimativa oficial é de que ao menos 87,5 mil famílias sejam beneficiadas com taxas reduzidas.
Os novos limites de renda ficaram definidos da seguinte forma: faixa 1 até R$ 3.200; faixa 2 até R$ 5.000; faixa 3 até R$ 9.600; e faixa 4 até R$ 13.000. Como os juros aumentam conforme a renda, a ampliação permite que famílias próximas dos antigos tetos migrem para faixas com taxas menores. Um exemplo é o de quem ganhava entre R$ 4.700 e R$ 5.000, que antes estava na faixa 3 com juros de 8,16% ao ano e agora passa para a faixa 2, com taxa de 7% ao ano. Situação semelhante ocorre com rendas entre R$ 8.600 e R$ 9.600, que deixam a faixa 4 (cerca de 10% ao ano) e passam para a faixa 3, com juros de até 8,16%.
Também houve aumento no valor dos imóveis permitidos. Nas faixas 1 e 2, os limites variam entre R$ 210 mil e R$ 275 mil, dependendo da localidade. Na faixa 3, o teto subiu de R$ 350 mil para R$ 400 mil, enquanto na faixa 4 passou de R$ 500 mil para R$ 600 mil. A mudança amplia o acesso a imóveis maiores ou melhor localizados, além de aumentar o leque de opções disponíveis no mercado.
Especialistas apontam que a principal beneficiada é a classe média, que vinha enfrentando dificuldades para financiar imóveis fora do programa devido aos juros elevados. Com a taxa básica (Selic) que chegou a 15% no ano passado e atualmente está em 14,75%, o crédito imobiliário ficou mais caro, restringindo o acesso à casa própria. Agora, com a atualização, parte desse público volta a ser incluída no MCMV.
Segundo dados do governo, cerca de 31,3 mil famílias passam a integrar a faixa 3 e outras 8,2 mil entram na faixa 4. O movimento reforça a importância do programa para o setor de construção civil, que, segundo análise do FGV Ibre, teve no MCMV um dos principais motores de crescimento em 2025, especialmente diante de um cenário de crédito restrito fora do programa.
Fonte: G1