Operação contra “El Mencho” deixa mais de 70 mortos e expõe escalada da guerra aos cartéis no México

A captura e morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, chefe do cartel Jalisco Nova Geração, desencadeou uma onda de violência que deixou mais de 70 mortos em vários estados do México. A operação militar ocorreu no domingo (22) e colocou o país em estado de alerta.

Considerado o criminoso mais procurado do México, El Mencho era apontado como um dos principais fornecedores de fentanil para os Estados Unidos e uma das figuras mais violentas do crime organizado no país. Ele era procurado há anos pelas autoridades mexicanas e norte-americanas, que chegaram a oferecer recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura.

A preparação da operação começou no sábado (21), após investigadores identificarem o paradeiro do traficante em um imóvel na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco. Segundo autoridades, a localização foi descoberta depois que a namorada do criminoso visitou o imóvel, informação repassada por uma pessoa próxima a ela. Após a saída da mulher, serviços de inteligência confirmaram que El Mencho permanecia no local, protegido por seguranças.

O Exército enviou tropas em uma operação sigilosa, com participação da Guarda Nacional, forças especiais, aeronaves militares e seis helicópteros. Uma autoridade de defesa dos EUA afirmou à agência Reuters que uma força-tarefa norte-americana voltada à coleta de inteligência sobre cartéis também participou da ação.

Antes do amanhecer de domingo, forças terrestres cercaram a área. Integrantes armados do cartel reagiram, dando início a um confronto que resultou na morte de oito suspeitos. El Mencho e aliados fugiram para cabanas em uma área de mata, onde houve novo tiroteio.

Após o controle da situação, militares encontraram El Mencho e dois seguranças feridos. Um helicóptero foi acionado para transferi-los a um hospital, mas o líder do cartel morreu durante o voo. A aeronave, que deveria pousar em Guadalajara, foi desviada para outra cidade de um estado vizinho devido ao início da onda de violência. Posteriormente, o corpo foi levado em avião militar para a Cidade do México.

A resposta do crime organizado foi imediata. Segundo o Ministério da Defesa, uma liderança do cartel conhecida como “El Tuli” ordenou bloqueios de estradas, incêndios e ataques a prédios públicos em Jalisco. O governo informou ainda que o grupo passou a oferecer recompensa de 20 mil pesos (cerca de R$ 6 mil) pela morte de militares.

Moradores e turistas foram orientados a permanecer em casa. Companhias aéreas cancelaram voos para Puerto Vallarta, no Pacífico, enquanto caminhoneiros receberam instruções para alterar rotas ou retornar a depósitos. Escolas e universidades suspenderam aulas em Jalisco e em outros estados.

De acordo com autoridades, cerca de 30 suspeitos de integrar o cartel, 25 agentes da Guarda Nacional e um civil morreram nos confrontos. Pelo menos 70 pessoas foram presas em sete estados.

“El Tuli” foi localizado a cerca de 180 quilômetros de Guadalajara. Ele tentou fugir de carro, reagiu à prisão e morreu em confronto com militares.

Na segunda-feira (23), a presidente Claudia Sheinbaum afirmou que não havia mais bloqueios em rodovias e que a situação deveria se normalizar, com retomada de voos prevista até terça-feira (24). O ministro da Segurança, Omar García Harfuch, declarou que possíveis sucessores de El Mencho estão sendo monitorados, diante do risco de novos ataques do próprio cartel ou de grupos rivais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em rede social que o México “precisa intensificar os esforços contra cartéis e drogas”, ampliando a pressão internacional em meio à maior ofensiva contra o crime organizado nos últimos anos.

Fonte: G1

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