Comando Vermelho Operação contra o Comando Vermelho prende PMs e vereador; mãe de Oruam está entre os foragidos Redação11 de março de 202603 visualizações A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quarta-feira (11) a Operação Contenção Red Legacy, voltada a desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV). Até a última atualização, sete pessoas haviam sido presas, enquanto quatro dos alvos já estavam detidos anteriormente. Ao todo, a Justiça expediu 13 mandados de prisão. Entre os presos na operação estão seis policiais militares e o vereador carioca Salvino Oliveira (PSD). Entre os procurados está Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, esposa do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e mãe do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam. Ela é considerada foragida. Outro alvo que ainda não foi localizado é Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho VP. De acordo com a Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), responsável pela investigação, a operação busca atingir a estrutura nacional do Comando Vermelho, que, segundo a polícia, atua como uma organização criminosa altamente estruturada e com atuação interestadual. A investigação também aponta indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os alvos da operação estão nomes apontados como integrantes da estrutura da facção, incluindo Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Samurai; Francisco Glauber de Oliveira, o GL; Luiz Claudio Machado, o Marreta; e o próprio Marcinho VP, todos já presos. Também foram presos nesta quarta-feira policiais militares identificados como Hélio da Costa Silva, major da PM; Reuel de Almeida Silva Fernandes, capitão da PM; Leandro Oliveira Loiola; Rodrigo Paiva Lopes; Thiago Monteiro Gomes Marcelino; e Thomás dos Santos Machado. O vereador Salvino Oliveira também foi preso durante a operação. Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico para transformá-las em bases eleitorais. De acordo com a corporação, o parlamentar teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho no Rio, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul. Segundo a polícia, em troca o vereador teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas à população local. Um dos exemplos investigados envolve a instalação de quiosques na região. De acordo com os investigadores, parte dos beneficiários teria sido escolhida diretamente por integrantes da facção, sem processo público transparente. Salvino Oliveira negou qualquer ligação com o traficante Doca e afirmou não ter envolvimento com a instalação de quiosques na Gardênia Azul. O vereador também declarou que não conhece o sobrinho de Marcinho VP. “Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”, afirmou. As investigações também apontam que Marcinho VP, mesmo após quase três décadas no sistema prisional, continua exercendo papel central na estrutura de comando do Comando Vermelho. Segundo a polícia, ele integraria um “conselho federal permanente” da facção. A Polícia Civil afirma ainda que Márcia Nepomuceno atuaria fora do sistema prisional como intermediária de interesses do grupo, participando da circulação de informações e de articulações entre integrantes da organização e pessoas externas. Já Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho VP, seria responsável por fazer a ligação entre lideranças da facção, membros que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização, como serviços e imóveis. O vereador Salvino Oliveira, de 29 anos, nasceu na Cidade de Deus e teve uma trajetória marcada por trabalhos informais na juventude, vendendo balas e água em ônibus. Aos sete anos, ingressou no Colégio Pedro II por meio de sorteio. Antes da carreira política, trabalhou como ambulante, garçom e ajudante de pedreiro. Formou-se em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2021, aos 22 anos, foi escolhido secretário municipal especial da Juventude na gestão do prefeito Eduardo Paes. Posteriormente, foi eleito vereador pelo PSD com mais de 27 mil votos e atualmente cumpre seu primeiro mandato. Entre suas propostas mais conhecidas está um projeto de regulamentação do aluguel por temporada na cidade do Rio de Janeiro. Em nota, a Câmara Municipal do Rio informou que acompanha o caso. “A Câmara do Rio acompanha o desenrolar dos fatos e se coloca à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários. O Legislativo municipal reafirma sua confiança no trabalho das instituições e no devido processo legal”, afirmou a instituição. Fonte: G1