As polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro deflagraram na manhã desta quarta-feira (10) a Operação Trinus, uma ofensiva contra integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Maré, Zona Norte da capital. A ação reúne seis investigações simultâneas relacionadas a tráfico de drogas, roubos, homicídios, exploração sexual infantil, violência doméstica e lavagem de dinheiro.
Os agentes tentam cumprir 56 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão. Até a última atualização, 10 suspeitos haviam sido presos. Durante a operação, equipes foram recebidas a tiros por criminosos, que também incendiaram barricadas para dificultar o avanço policial. Escolas e unidades de saúde da região suspenderam as atividades preventivamente.
A ofensiva conta com a participação de policiais do Bope e da Core, tropas de elite das forças de segurança do estado. Durante as incursões, foram apreendidos dois fuzis e localizada uma estufa de maconha.
As investigações da 21ª DP (Bonsucesso) foram divididas em seis frentes. Uma delas apura o roubo sistemático de cargas em vias expressas como Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela. Segundo a polícia, caminhões eram interceptados por criminosos armados e levados para comunidades dominadas pelo TCP, onde as mercadorias eram descarregadas e revendidas por estabelecimentos locais ligados à facção.
Outro foco é o esquema de roubo e receptação de celulares. A investigação aponta que criminosos utilizavam motocicletas roubadas e obrigavam vítimas a entregar aparelhos desbloqueados, que podiam render até R$ 2,5 mil aos assaltantes. Celulares bloqueados eram revendidos por valores menores.
A operação também busca responsabilizar envolvidos na tentativa de homicídio contra a adolescente Valentina Betti Simioni, baleada em setembro de 2024 após seu pai entrar por engano na Baixa do Sapateiro ao seguir orientações do GPS.
Há ainda investigações sobre compartilhamento de material de abuso sexual infantil, incluindo conteúdos envolvendo bebês, além de casos de violência doméstica e posse ilegal de armas.
Outro procedimento apura um roubo ocorrido em maio deste ano na Avenida Brasil, quando um casal foi assaltado por criminosos armados. Segundo a polícia, os suspeitos utilizaram cartões bancários e celulares das vítimas para realizar compras e movimentações financeiras, o que permitiu a identificação de um dos envolvidos.
Um dos pontos centrais da investigação é o chamado Baile da Disney, realizado na Vila do João. A Polícia Civil afirma que o evento funciona como ferramenta de lavagem de dinheiro e escoamento de mercadorias roubadas, além de gerar receitas para o financiamento das atividades da facção criminosa.
De acordo com os investigadores, o Complexo da Maré se tornou a principal central logística do TCP para o recebimento, armazenamento e distribuição de cargas roubadas, substituindo estruturas antes concentradas no Complexo da Pedreira. A polícia afirma que a mudança foi acompanhada por aumento dos confrontos armados na região.
Fonte: G1