Operação revela tortura, invasões e extorsão do tráfico na Lapa

por Redação

Investigações que levaram à deflagração da Operação Colmeia, nesta terça-feira (16), apontam que integrantes do Comando Vermelho (CV) torturavam dependentes químicos e exploravam comerciantes na região da Lapa, no Rio de Janeiro. Até a última atualização, 14 pessoas haviam sido presas na ação conjunta das forças de segurança.

Segundo a Polícia Civil, traficantes chegaram a gravar vídeos mostrando usuários sendo amarrados e agredidos. O material foi obtido durante a apuração conduzida pela 5ª DP (Mem de Sá). O delegado Uriel Alcântara Machado, da Polinter, afirmou que as imagens revelam sessões de violência em que criminosos decidiam se a vítima seria morta.

As investigações também apontam extorsão contra ambulantes que trabalham próximos à Escadaria Selarón. De acordo com a polícia, cerca de 50 comerciantes foram obrigados a pagar uma “taxa” diária de até R$ 130. Comprovantes de transferências teriam sido identificados em nome de Endrew Silva Lima, conhecido como Di Mulher, apontado como comparsa de Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, considerado um dos chefes da facção na região.

A estimativa é que o grupo tenha lucrado cerca de R$ 200 mil apenas com a cobrança ilegal. Abelha também é apontado como responsável pelos principais pontos de venda de drogas no bairro, incluindo um localizado a cerca de 200 metros dos Arcos da Lapa.

De acordo com o inquérito, traficantes invadiam casarões abandonados para transformá-los em locais de comercialização de entorpecentes, onde filas de usuários se formavam. As drogas seriam embaladas no Fallet/Fogueteiro e distribuídas por táxis, mototáxis e “mulas”, muitas vezes mulheres.

A investigação teve início em outubro de 2024. Em novembro, 25 suspeitos foram indiciados e tiveram a prisão solicitada. O caso foi encaminhado ao Gaeco, que denunciou 30 pessoas — todas atualmente rés na Justiça.

A Polícia Civil identificou ainda que Anderson Venâncio Nobre de Souza, conhecido como Piu ou Português, mesmo já preso, atuaria como gerente operacional do esquema. Diligências foram realizadas também no Morro dos Prazeres e no Fallet/Fogueteiro, onde agentes estiveram em um imóvel atribuído ao investigado.

Segundo a corporação, 22 dos 28 alvos procurados nesta terça não tinham antecedentes criminais e atuariam em funções logísticas, como transporte e distribuição de drogas.

Fonte: G1

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