Brasil Segurança Pastor é flagrado ameaçando pessoas em situação de rua durante discurso na Câmara de Divinópolis Redação1 de dezembro de 2025025 visualizações Um vídeo gravado na Câmara de Vereadores de Divinópolis, em Minas Gerais, mostra o pastor Wilson Botelho fazendo ameaças diretas a pessoas em situação de rua durante um pronunciamento público. Na gravação, ele afirma frases como: “Você não fica aqui… se você atravessar aquela ponte, amanhã às 4 horas da tarde eu vou fazer seu sepultamento” e “É só eu dar uma ligada e você toma dois tiros na cabeça”. As declarações ocorreram em meio a denúncias de práticas de expulsão e “higienização social” registradas em diferentes cidades brasileiras. O Ministério Público apura suspeitas de transporte compulsório, remoções irregulares e abordagens forçadas — condutas proibidas desde 2023 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Após a repercussão, Botelho disse ter sido “mal interpretado” e classificou seu discurso como “infeliz”, afirmando que não costuma agir dessa forma e que jamais maltratou pessoas em situação de rua. As investigações incluem relatos de ameaças por autoridades municipais, vídeos de prefeitos confrontando moradores de rua e denúncias de que cidades vêm utilizando a oferta de passagens de ônibus — permitida apenas em casos emergenciais — para afastar pessoas consideradas indesejadas do espaço urbano. Em Divinópolis, a prefeitura financiou 564 passagens nos últimos seis meses. Já em Chapecó (SC), uma vistoria identificou falhas graves em unidades de acolhimento e o uso de guardas municipais armados na internação de pessoas em situação de rua. Especialistas alertam que tais medidas configuram violação constitucional, pois restringem o direito de circulação garantido a todos os cidadãos. Promotores afirmam que prefeituras podem ser responsabilizadas caso continuem adotando práticas de expulsão e remoção forçada. Casos em Minas Gerais e Santa CatarinaNo município mineiro, a prefeitura afirma que utiliza passagens apenas quando solicitadas. No entanto, relatos contestam a prática. Aparecida Araújo, de 60 anos, enviada para Oliveira, afirma não ter vínculos com a cidade nem recebido orientação sobre trabalho ou serviços. Em Santa Catarina, denúncias também apontam ameaças. Em Balneário Camboriú, a prefeita Juliana Pavan aparece em vídeo confrontando pessoas em situação de rua e afirmando que “na rua, aqui, a gente não vai aceitar ninguém”. Proibição do STFEm 2023, o STF barrou qualquer forma de remoção forçada ou transporte compulsório, inclusive de refugiados. Ainda assim, levantamento indica que cidades de ao menos 18 estados adotaram condutas semelhantes, justificando-as por questões relacionadas ao uso de álcool e drogas. Especialistas afirmam que tais medidas são inconstitucionais e normalmente associadas a políticas higienistas, voltadas a retirar populações vulneráveis de áreas centrais sem oferecer solução efetiva. As prefeituras citadas na reportagem declaram realizar ações de reinserção social e programas voltados a pessoas em situação de rua. Fonte: FANTÁSTICO