Entre planilhas, cálculos e olhares fixos no telão, a apuração das notas do carnaval de São Paulo ganhou um componente extra nesta terça-feira (17): a fé. Diretores das escolas de samba espalharam amuletos sobre as mesas — imagens de Jesus, guias, terços religiosos e até esculturas de animais, como uma coruja — numa tentativa explícita de atrair sorte em um dos momentos mais decisivos do ano para as agremiações.
A leitura das notas ocorreu no Sambódromo do Anhembi e contou apenas com a presença de diretores das escolas, convidados e profissionais da imprensa. O ambiente foi marcado por silêncio quase absoluto a cada quesito anunciado, interrompido apenas por reações contidas, como suspiros, mãos no rosto e olhares atentos à tela que exibia os resultados.
As pontuações foram anunciadas quesito a quesito, com descarte automático da menor nota em cada um deles. Ao final da leitura, os valores foram somados para definir a classificação geral. As duas escolas que terminarem com as menores pontuações totais serão rebaixadas e disputarão o carnaval de 2026 no Grupo de Acesso I.
De acordo com o regulamento, as notas descartadas funcionam como primeiro critério de desempate. Em caso de igualdade na soma final, o quesito “Evolução” será utilizado neste ano para definir as campeãs.
A apuração teve início com o quesito “Enredo”, que já provocou a primeira mudança relevante no ranking: após essa etapa, a Gaviões assumiu a liderança provisória, enquanto a Mocidade caiu para a segunda posição.
Pelo terceiro ano consecutivo, a leitura ficou sob responsabilidade da locutora Eloise Matos, de 52 anos. Ela assumiu a função em 2024, após a saída de Antônio Pereira da Silva, conhecido como Zulu, de 76 anos, tornando-se a primeira mulher em 30 anos a anunciar oficialmente as notas do carnaval paulistano.
Fonte: G1