Perfil dos mortos na megaoperação no Rio: todos homens, média de 28 anos e 1/3 sem registro de pai

por Redação

Todos os civis mortos durante o confronto com as forças de segurança nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, e já identificados pela Polícia Civil, são homens com idades entre 14 e 55 anos. A média e a mediana são de 28 anos, e um terço deles não possui registro de paternidade.

O levantamento, divulgado quase uma semana após a operação que deixou 121 mortos, reúne informações de 115 pessoas, excluindo os quatro agentes de segurança que perderam a vida. Outros dois casos seguem sob análise pericial.

Segundo o documento oficial, 44 mortos (38%) nasceram no estado do Rio de Janeiro. Além dos dados pessoais — como RG e CPF —, o relatório inclui fotos, histórico criminal, mandados de prisão e informações extraídas de redes sociais.

Entre os identificados, 36 homens têm apenas o nome da mãe nos registros de filiação. Metade dos mortos possuía ao menos um mandado de prisão (ou de busca e apreensão, no caso de menores).

A idade média de 28 anos reforça o perfil jovem das vítimas. O mais novo, de 14 anos, era investigado por “fato análogo ao crime de estupro de vulnerável”. O mais velho, Jorge Benedito Barbosa, 55 anos, já havia sido condenado por roubo.

Alguns casos chamam atenção:

Francisco Myller Moreira da Cunha, conhecido como Gringo ou Suíça, 32, natural de Manaus, apontado como liderança do Comando Vermelho (CV) no Amazonas, possuía mandado ativo por homicídio e tráfico.

Yuri dos Santos Barreto, 22, sem registro de pai e de naturalidade, tinha histórico por posse de granadas caseiras.

Ronaldo Julião da Silva, 46, de Campina Grande (PB), não apresentava antecedentes nem mandados de prisão.

A análise aponta ainda que 12 mortos eram líderes de facções em outros estados, como Pará, Bahia e Amazonas. O Rio de Janeiro concentra a maioria das origens (26 registros da capital). Em seguida aparecem Pará (19), Amazonas (5) e Bahia (4).

A inteligência da Polícia Civil também utilizou redes sociais para vincular suspeitos ao CV. Em diversos perfis, emojis e postagens com bandeiras vermelhas, armas ou roupas de camuflagem foram considerados indícios de envolvimento com o tráfico.

Segundo a corporação, mais de 95% dos 115 perfis analisados apresentavam ligação comprovada com o Comando Vermelho.

A megaoperação, considerada a mais letal da história do Rio, ainda é alvo de questionamentos de entidades de direitos humanos e do Ministério Público, que pedem apuração sobre o uso da força e a legalidade das ações.

Fonte: valor

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