PF prende suspeitos de esquema de migração ilegal aos EUA que movimentou R$ 240 milhões

por Redação

Uma operação da Polícia Federal contra grupos envolvidos em migração ilegal para os Estados Unidos prendeu quatro pessoas em Goiás nesta quinta-feira (7). Entre os alvos está Maria Helena de Sousa Netto Costa, apontada pela investigação como líder de um dos grupos criminosos que teria movimentado cerca de R$ 45 milhões.

Segundo a PF, os cinco grupos investigados movimentaram aproximadamente R$ 240 milhões entre 2018 e 2023. As organizações são suspeitas de promover entrada ilegal de brasileiros nos EUA, além de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Maria Helena foi presa em casa, em Goiânia. De acordo com a investigação, ela passou a ser monitorada em 2022, após um grupo de migrantes interceptado no aeroporto de Congonhas mencionar seu nome às autoridades.

A suspeita é sogra do vice-governador de Goiás, Daniel Vilela. Em nota, o político afirmou que a investigação não possui qualquer relação com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás.

Outras três pessoas foram presas em Goiânia. Já no Amapá, dois suspeitos considerados chefes da organização não foram localizados e acabaram incluídos na lista da Interpol.

A Polícia Federal estima que mais de 600 pessoas possam ter sido levadas ilegalmente aos Estados Unidos ao longo de mais de duas décadas. Segundo as investigações, cada migrante pagava cerca de US$ 20 mil para participar do esquema.

Os grupos atuavam de forma estruturada e eram responsáveis por organizar toda a logística da viagem clandestina, incluindo saída do Brasil, passagem por países como México e Panamá e chegada ao território americano.

As investigações também apontaram atuação de integrantes em outros estados e no exterior, responsáveis por suporte logístico, recepção dos migrantes e intermediação financeira.

Além disso, a PF identificou indícios do uso de empresas de fachada, laranjas e esquemas de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos recursos movimentados.

A TV Anhanguera teve acesso a mensagens atribuídas a Maria Helena nas quais ela orientaria migrantes sobre as rotas ilegais. Em um dos trechos, a suspeita afirma que o caminho escolhido por ela teria maior taxa de sucesso na entrada clandestina nos EUA.

A defesa de Maria Helena afirmou que recebeu as medidas cautelares com surpresa e classificou a prisão preventiva como desnecessária. Os advogados disseram aguardar acesso integral aos autos para análise técnica do caso.

Em nota, Daniel Vilela afirmou que os fatos investigados remontam aos anos 2000 e reforçou que não há qualquer envolvimento dele ou do governo estadual nas apurações.

Fonte: G1

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