Polícia investiga homem por cobrar “aluguel” de terrenos já comprados em Guarulhos

A Polícia Civil de São Paulo investiga Ricardo Juliano de Moura, suspeito de cobrar aluguel de famílias que já haviam comprado terrenos no bairro Parque Mikail, em Guarulhos, Grande São Paulo. Segundo as investigações, ele dizia ser proprietário dos terrenos e utilizava ameaças, agressões e até incêndios para forçar moradores a pagar ou a deixar os imóveis. Mais de 100 boletins de ocorrência foram registrados contra ele, por extorsão qualificada e associação criminosa.

Ricardo também é investigado por parcelamento irregular do solo urbano, crime previsto no artigo 50 da legislação paulista, que tipifica loteamentos ou desmembramentos clandestinos. Uma das vítimas chegou a ser impedida de entrar na própria casa e encontrou um aviso no muro indicando que estava “jurada de morte”.

Segundo o vereador Delegado Gustavo Mesquita (Republicanos), “são famílias humildes, que compraram o sonho da casa própria e hoje vivem um pesadelo. Estão sendo ameaçadas, humilhadas e coagidas por alguém que se diz dono de um condomínio, mas age fora da lei”.

O suspeito administrava o loteamento irregular, controlando fornecimento de água e energia e montando uma espécie de “milícia particular”, impedindo moradores de se comunicarem entre si. Quem desobedecia sofria represálias, como corte de serviços básicos ou invasão de imóveis.

O esquema funcionava da seguinte forma: anúncios de venda eram divulgados, e compradores eram informados de que o terreno estava em litígio judicial. Para concluir a compra, era exigido pagamento adiantado — em um caso, R$ 16 mil via PIX — e contratos falsos eram apresentados. Nenhum valor era devolvido quando as negociações fracassavam.

Entre os casos mais graves, uma mulher precisou abandonar a casa onde vivia com o filho com Síndrome de Down após disparos contra o imóvel. “Ele atirou três vezes contra a minha casa. Uma das balas atingiu o tambor de água, outra acertou a janela do quarto da minha filha. Quase a matou”, relatou.

A SSP informou que os casos estão sendo investigados pela Delegacia de Investigações sobre Crimes contra o Meio Ambiente (DICCMA) de Guarulhos. A prisão temporária de um dos investigados foi convertida em preventiva, e o irmão do suspeito também teve prisão preventiva decretada. Ambos foram denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de extorsão qualificada e associação criminosa.

Fonte: G1

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