Policiais civis de diferentes estados recorreram a uma estratégia inusitada durante o carnaval deste ano: infiltraram-se em blocos e festas populares vestidos com fantasias de personagens da cultura pop para flagrar criminosos em meio à multidão. As ações resultaram em prisões por furtos de celulares e no cumprimento de mandado por homicídio.
As ocorrências tiveram um ponto em comum: agentes caracterizados como figuras facilmente confundidas com foliões, o que facilitou a aproximação e a abordagem de suspeitos sem levantar desconfiança.
No Centro de São Paulo, no sábado (14), policiais civis fantasiados de Scooby-Doo e Daphne prenderam três suspeitos de furtar celulares durante um bloco na região da República. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, duas mulheres e um homem se aproveitavam da aglomeração para subtrair aparelhos. Após monitoramento, os agentes abordaram o trio e encontraram oito celulares dentro de uma pochete usada por uma das suspeitas. Eles foram encaminhados ao 2º Distrito Policial, no Bom Retiro.
Ainda na capital paulista, durante o pré-carnaval, outra equipe infiltrada, desta vez caracterizada como personagens do filme “Os Caça-Fantasmas”, prendeu mais três suspeitos de furtos na região da Consolação. Em outra ação, um homem procurado pela Justiça foi identificado ao tentar entrar no Sambódromo do Anhembi por meio de câmeras do programa Muralha Paulista.
No Rio de Janeiro, policiais civis também adotaram o disfarce em um bloco em Santa Teresa. Entre as fantasias estavam personagens da série “Casa de Papel”, o vilão Jason, de “Sexta-feira 13”, e o super-herói Capitão América. Com apoio de drone, agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial flagraram uma mulher arrancando o celular da mão de uma vítima e repassando o aparelho a um comparsa. A dupla foi presa em flagrante com cinco celulares furtados.
Segundo a Polícia Civil, os dois somam 29 anotações criminais, a maioria por furto. A mulher, de 46 anos, já havia sido presa oito vezes e, conforme as investigações, integra uma quadrilha familiar especializada nesse tipo de crime. A ação integra a Operação Rastreio, apontada como a maior iniciativa do estado no combate ao roubo, furto e receptação de celulares. De acordo com a corporação, mais de 13 mil aparelhos foram apreendidos e cerca de 4,4 mil devolvidos aos proprietários.
No Ceará, a tática do disfarce foi usada para cumprir um mandado de prisão preventiva. Em Barbalha, no Cariri, policiais civis vestidos como foliões prenderam um homem suspeito de homicídio durante uma festa de carnaval. Ele é investigado por matar um homem no bairro Malvinas, no município, em novembro do ano passado. A prisão contou com apoio da Polícia Militar.
As ações em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará evidenciam a adoção de uma estratégia para atuar em meio à multidão sem comprometer a operação. Segundo as polícias civis, vítimas de furto devem registrar boletim de ocorrência, presencialmente ou pela delegacia eletrônica, e informar, sempre que possível, o número do IMEI do aparelho para facilitar a identificação e eventual devolução.
Fonte: G1