A polilaminina ganhou destaque nas redes sociais nos últimos dias, após a repercussão de um paciente que voltou a andar e discussões sobre a perda de patente e avanços da ciência nacional. A substância é um composto recriado em laboratório a partir da laminina, proteína presente no corpo humano, especialmente durante o desenvolvimento embrionário, com papel fundamental na organização dos tecidos e no crescimento celular.
A cientista Tatiana Sampaio pesquisa a polilaminina como tratamento para lesões medulares agudas, aplicadas pouco tempo após o trauma. Em animais e em pequenos grupos de pacientes, houve sinais de recuperação motora, mas especialistas alertam que até 30% das pessoas com lesão medular aguda podem recuperar algum grau de movimento sem a droga, dependendo do tipo e extensão da lesão.
O estudo preliminar, com oito pacientes, mostrou resultados variados: alguns tiveram evolução significativa, enquanto outros apresentaram apenas progressos parciais. Até o momento, os achados não passaram por revisão por pares e ainda não comprovam eficácia ampla da substância.
A polilaminina funciona como uma espécie de “ponte microscópica”, aplicada diretamente na medula lesionada para estimular a regeneração de axônios e restabelecer parte da comunicação entre cérebro e corpo. No entanto, não há evidências de que ela funcione em lesões crônicas, em pacientes com paralisia de longa data.
O laboratório Cristália, que atualmente conduz a pesquisa, recebeu cerca de 40 pedidos judiciais para aplicação da substância e realizou 19 aplicações, todas fora de ensaio clínico formal. O uso continua gratuito e está sob avaliação da Anvisa para acelerar a análise.
Para que a polilaminina se torne medicamento, ainda será necessário passar pelas fases 1, 2 e 3 de ensaios clínicos regulatórios, avaliar segurança e eficácia, e obter registro sanitário. Segundo os especialistas, os resultados preliminares são promissores, mas insuficientes para indicar a substância como tratamento padrão.
Fonte: G1