Saúde Por que os casos de câncer de tireoide estão aumentando no mundo? Entenda o que diz a ciência Redação21 de novembro de 2025024 visualizações A glândula tireoide, localizada na base do pescoço, regula funções vitais como batimentos cardíacos, pressão arterial, temperatura corporal e metabolismo. O câncer de tireoide ocorre quando células da glândula passam a se multiplicar de forma descontrolada, podendo invadir tecidos próximos e se espalhar para outras partes do corpo. Embora apresente altas taxas de cura, o avanço consistente da incidência da doença preocupa especialistas. Nos Estados Unidos, o banco de dados Seer mostra que os diagnósticos mais que triplicaram entre 1980 e 2016. Para mulheres, a taxa passou de 6,15 para 21,28 casos por 100 mil habitantes; para homens, de 2,39 para 7,54. É um dos poucos tipos de câncer cujo crescimento permanece expressivo ao longo das décadas. Um dos primeiros fatores apontados é a exposição à radiação ionizante na infância. Após o acidente de Chernobyl e entre sobreviventes das bombas atômicas do Japão, aumentos acentuados foram registrados. No entanto, sem desastres nucleares recentes que explicassem o avanço global, a ciência voltou-se para outra hipótese: o aprimoramento dos diagnósticos. A introdução da ultrassonografia da tireoide nos anos 1980 e da punção aspirativa por agulha fina nos anos 1990 permitiu detectar tumores muito pequenos, que antes passavam despercebidos. Esse diagnóstico excessivo elevou as estatísticas, enquanto a mortalidade permanecia estável. O fenômeno foi ainda mais evidente na Coreia do Sul, onde a incidência disparou após a criação de um programa de rastreamento — e caiu novamente quando o programa foi reduzido. Mesmo assim, pesquisadores afirmam que essa explicação não abrange todo o cenário. Países de renda média também registraram aumento, e tumores maiores e mais avançados passaram a ser detectados com mais frequência. Estudos nos Estados Unidos identificaram que, embora pequenos carcinomas papilares respondam por grande parte dos diagnósticos, também crescem os casos metastáticos, com um discreto, porém contínuo, aumento da mortalidade anual. Entre as hipóteses mais estudadas está a obesidade, cuja prevalência tem aumentado desde os anos 1980. Pessoas com IMC mais elevado têm risco até 50% maior de desenvolver câncer de tireoide, além de maior probabilidade de tumores agressivos e maior mortalidade relacionada à doença. As explicações envolvem inflamação crônica, resistência à insulina e alterações no funcionamento hormonal. Outra linha de investigação analisa substâncias desreguladoras endócrinas presentes em utensílios domésticos, cosméticos e pesticidas — entre elas PFOA e PFOS —, embora as evidências ainda sejam conflitantes. Elementos-traço associados a regiões vulcânicas também são estudados, mas faltam pesquisas epidemiológicas robustas. A exposição crescente à radiação médica é outro ponto sensível. Com o aumento do uso de tomografias e raios X, inclusive em crianças, estimativas sugerem que milhares de diagnósticos anuais podem estar ligados a esses exames. A glândula jovem é particularmente vulnerável. Para especialistas, o cenário mais provável é multifatorial, resultado de interações entre ambiente, metabolismo, dieta, hormônios e genética. Embora a maioria dos tumores seja tratável e apresente bom prognóstico, compreender as causas do aumento permanece crucial para ajustar políticas de rastreamento e prevenir intervenções desnecessárias. Fonte: G1