Mundo Professor brasileiro da USP se declara culpado após disparar arma de pressão perto de sinagoga nos EUA e deixará o país Redação5 de dezembro de 2025027 visualizações O professor de Direito da USP e pesquisador visitante em Harvard, Carlos Portugal Gouvêa, declarou-se culpado pelo disparo de uma arma de ar comprimido nas proximidades de uma sinagoga em Brookline, Massachusetts, em 1º de outubro, véspera do Yom Kippur. Após o acordo judicial, ele foi detido por autoridades de imigração dos Estados Unidos e concordou em deixar o país, segundo confirmou nesta quinta-feira o Departamento de Segurança Interna dos EUA. O caso ganhou repercussão nacional após a administração Donald Trump rotular o episódio como um “incidente de tiro antissemita”, apesar de autoridades locais e da própria sinagoga Beth Zion apresentarem interpretações distintas. Em mensagem publicada nas redes sociais, representantes da instituição afirmaram que o ato “não parece ter sido alimentado pelo antissemitismo”, acrescentando que, segundo informações preliminares da polícia, Gouvêa não sabia que atirava próximo a um templo religioso durante um feriado judaico. A prisão ocorreu nesta quarta-feira, após o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) deter o brasileiro em razão da revogação de seu visto temporário pelo Departamento de Estado. Depois do incidente, Harvard colocou o professor em licença administrativa. A instituição não se pronunciou sobre o desdobramento do caso. O que ocorreu no dia do disparo De acordo com o boletim policial, Gouvêa utilizava uma arma de ar comprimido para caçar ratos. Um dos disparos que efetuou acabou quebrando a janela de um veículo estacionado. Não houve feridos. A sinagoga, no entanto, chegou a ser colocada em confinamento por precaução. Em comunicado, líderes da Beth Zion agradeceram a calma mantida pelas centenas de fiéis presentes no templo naquela noite, destacando que isso evitou situações potencialmente perigosas. Reações e posicionamentos A USP divulgou nota ressaltando que a própria sinagoga afastou a hipótese de motivação antissemita. A universidade destacou ainda os laços familiares do professor com a comunidade judaica e seu histórico de defesa dos direitos humanos. A Faculdade de Direito da USP repudiou “insinuações maldosas e distorcidas” contra o docente. Acusações e acordo judicial Gouvêa havia sido acusado de disparo ilegal de arma de chumbo, conduta desordeira, perturbação da paz e vandalização de propriedade. Ele se declarou culpado apenas pelo disparo, enquanto as demais acusações foram retiradas como parte do acordo judicial que resultou em sua saída dos EUA. Fonte: OGLOBO