O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) determinou, na terça-feira (7), a suspensão do exercício profissional do psiquiatra Rafael Pascon dos Santos, preso preventivamente desde outubro de 2025 sob acusação de abusos sexuais contra pacientes em Marília, Garça e Lins, no interior paulista. A medida é uma interdição cautelar dentro de processo ético-disciplinar, que corre em segredo de Justiça e impede legalmente o médico de atuar.
Rafael é investigado por 32 denúncias que envolvem crimes de importunação sexual e estupro de vulnerável. A defesa chegou a solicitar habeas corpus, mas o pedido foi negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), assim como a tentativa de revogação da prisão. Ele segue detido na penitenciária de Gália (SP).
O médico é réu em dois processos. Um deles começou a tramitar em fevereiro deste ano e reúne relatos de duas pacientes que afirmam ter sofrido toques, comentários e condutas de conotação sexual durante consultas psiquiátricas. Esses depoimentos são semelhantes aos que fundamentam o primeiro processo, iniciado em 2025, que resultou na prisão preventiva.
Na primeira ação, houve audiência virtual em 21 de janeiro, sem divulgação de conteúdo. O juiz também determinou que o plano de saúde vinculado ao psiquiatra forneça informações sobre o número de profissionais disponíveis para atendimentos entre janeiro de 2024 e novembro de 2025, a fim de contextualizar os atendimentos realizados no período investigado.
Segundo a Polícia Civil, os casos ocorreram durante consultas médicas, com vítimas, em sua maioria, na faixa dos 30 anos. Há relatos de comportamentos recorrentes, como toques, comentários e abordagens de cunho sexual.
Rafael foi preso em 22 de outubro de 2025, em Marília, após diligências em seu consultório e residência. Ele se apresentou à delegacia acompanhado de advogados e permaneceu em silêncio durante depoimento. O inquérito foi concluído em 31 de outubro, com indiciamento pelos crimes investigados.
O caso ganhou força após as primeiras seis denúncias registradas na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Marília, incluindo o relato de uma paciente que afirmou ter sido estuprada durante consulta em agosto de 2024. Outras vítimas também procuraram a polícia posteriormente, com relatos semelhantes.
Há registros de diferentes períodos e perfis de vítimas. Uma mulher de 65 anos relatou abusos em 2018, durante atendimento no Caps de Garça, incluindo comportamentos inapropriados e contato físico sem consentimento. Outra paciente, de 43 anos, afirmou ter sido beijada à força em 2022. Já uma jovem, hoje com 24 anos, denunciou importunação ocorrida quando tinha 17 anos, também em atendimento no Caps.
O avanço das denúncias e a quantidade de vítimas apontam para um padrão de conduta investigado pelas autoridades. A suspensão pelo Cremesp ocorre em meio à repercussão do caso e reforça a resposta institucional diante da gravidade das acusações.
Fonte: G1